São Paulo - Traficantes do morro da Providência (centro do Rio) estão oferecendo R$ 10 mil pela morte de cada um dos 11 militares acusados de entregar três jovens da favela a traficantes do morro da Mineira. A denúncia foi feita pelo sargento Renato de Oliveira Alves, um dos acusados. Ele depõe na tarde de ontem na 7.ª Vara Federal Criminal, no Rio.
Durante o depoimento, Alves afirmou ter ouvido de um sargento de um batalhão de infantaria que militares receberam, no morro da Providência, a informação de que o Comando Vermelho (CV), facção criminosa que comanda o tráfico naquela favela, está oferecendo a recompensa “pela cabeça dos acusados”.
Ainda segundo a denúncia - que Alves disse ter recebido quando chegava na 7.ª Vara - a família dos militares também estaria em risco. “Nossa cabeça está valendo R$ 10 mil. Estou preso há 18 dias e estou muito nervoso com isso”, declarou o sargento durante a sessão. Ele relatou a denúncia ao juiz Marcello Granado.
No depoimento, que começou por volta das 14h30 e prosseguia até as 16h30, o sargento alegou, em sua defesa, que fazia apenas a segurança do grupo que levou os jovens ao morro da Mineira. Ele disse que, ao ser convocado para a ação, foi informado que os militares deixariam os jovens no Sambódromo, no centro do Rio, que fica perto do morro da Providência. “Pensava que era uma tarefa de segurança como outra qualquer. Achei estranho quando passamos do Sambódromo, mas pensei que eles iam deixar os garotos de volta na Providência.”
Para Alves, tratava-se de um trote aos jovens, o que, segundo ele, é prática comum entre os militares. “Já vi colegas meus apanharem de cinto e até de porta de armário”, disse. Em seguida, foi questionado pelo juiz: “Mas é normal também dar trote em civis?” O sargento respondeu que não.
O depoimento do sargento e do soldado Julio de Almeida Ré seriam colhidos anteontem, mas foram transferidos para esta sexta. Ontem ainda deverão depor Rafael Cunha da Costa Sá, Sidney de Oliveira Barros, Fabiano Eloi dos Santos, Samuel de Souza Oliveira e Eduardo Pereira de Oliveira.