08 de julho de 2026
Cultura

A bossa nova chega a SP

Por Da Redação | Com Reuters
| Tempo de leitura: 2 min

O Rio de Janeiro emprestou um pedacinho da praia e de seu famoso calçadão de ondas para a grande exposição “Bossa na Oca”, sobre os 50 anos da bossa nova, que começa nesta terça-feira no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. Com alto grau de interatividade, a mostra pretende promover uma viagem pela história do gênero musical brasileiro que mais alcançou projeção internacional.

A bossa nova revelou para o mundo não apenas a sofisticação da música nacional, mas também o estilo de vida da juventude do País da década de 1950. A exposição resgata imagens e sons mais importantes desses 50 anos do movimento, proporcionando ao público uma vivência do ambiente que propiciou seu nascimento.

Com direção de Marcello Dantas, artista responsável pelo Museu da Língua Portuguesa, e do premiado videomaker Carlos Nader, a mostra ocupará os 8 mil metros da construção projetada por Oscar Niemeyer, ao reunir depoimentos e registros musicais históricos, muitos deles inéditos, além de amplo acervo visual e sonoro, selecionado a partir de 12 mil fotografias e 3 mil horas de imagens em movimento.

A exposição é a âncora do evento Itaúbrasil, que ainda promoverá dois shows concebidos especialmente para a ocasião: a união inédita de Roberto Carlos e Caetano Veloso, em homenagem a Tom Jobim, e o encontro de jovens artistas para celebrar João Donato.

____________________

Encontro virtual

Em “Bossa na Oca”, o público assistirá a vídeos feitos especialmente para a exposição, terá acesso a áudios e imagens célebres e/ou inéditas - incluindo fotografias do concerto do Carnegie Hall, que pertencem ao acervo da Biblioteca do Congresso Norte-Americano - e poderá presenciar um encontro virtual histórico entre Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Astrud Gilberto, Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan, Frank Sinatra, Stan Getz e Nara Leão, tendo Johnny Alf como âncora.

A apresentação só será possível graças à tecnologia “Eyeliner”, já usada nos shows da banda virtual Gorillaz. “Será uma vivência imersiva dentro de uma linguagem musical”, promete Marcello Dantas. Um dos destaques da exposição, o show virtual no “Beco das Garrafas” usa uma película holográfica e um sistema de projeção, que coloca todos no palco ao mesmo tempo, “interagindo” com piano, banquinhos e microfones de verdade.

“O Vinicius aparece assim meio de lado, meio que paquerando a Astrud... e o Johnny Alf está piano. No final, todos agradecem juntos”, contou Dantas, explicando que tudo é em preto-e-branco, como nos anos 1950.

“A exposição celebra um movimento cultural que criou um ritmo e uma idéia. O ritmo lida com as raízes sonoras mais profundas do País e as transforma numa música moderna, rica, sofisticada e feliz, que alcançou sucesso sem precedentes na história da música brasileira. A idéia é que o Brasil pode ser esta música”, define Nader. “Ela apresenta a história da Bossa Nova de um jeito que os jovens de hoje podem entender os jovens de então, pois narra o surgimento da cultura jovem do Brasil”, complementa Dantas.