08 de julho de 2026
Cultura

Interatividade é marca da exposição

Por Da Redação | Com Reuters
| Tempo de leitura: 5 min

A interatividade surgirá em diversos momentos da exposição “Bossa na Oca”. É o caso dos jukeboxes, nos quais o visitante pode ouvir uma seleção de composições da bossa nova, incluindo várias versões de uma mesma música ou canções menos conhecidas, criadas no auge do movimento.

Outra situação de interatividade será a câmara anecóica, de silêncio absoluto, para experimentar a sensação do ouvido perfeito do maestro Tom Jobim.

Um andar inteiro da Oca será dedicado a dois pilares do movimento: Tom Jobim e Vinicius de Moraes, além da Turma da Bossa, formada por Nara Leão, Roberto Menescal e Carlos Lyra, entre outros.

De acordo com os criadores, a exposição dialogará com a própria arquitetura da Oca, ao usar linhas leves e imagens inspiradas pela musicalidade. Cordas de violão (nylon) delimitarão os espaços.

“Não queremos fazer uma exposição saudosa, nostálgica. Estamos aqui celebrando”, alerta um dos diretores da mostra, o artista Marcello Dantas, lembrando uma das canções que lançaram a bossa nova, “Chega de Saudade”, de João Gilberto, em 1958.

Estrutura

A ambientação começa já do lado de fora da Oca, com um corredor reproduzindo a sonoridade vigente antes do advento da bossa nova, com ênfase em alguns clássicos imortalizados pelos cantores do rádio, como Orlando Silva, Dalva de Oliveira e Ângela Maria, entre outros.

A viagem pelo térreo começa com uma linha do tempo que insere a bossa nova na História. A linha do tempo é situada em uma bancada de 60 metros de extensão, em formato de onda, com toda a cronologia do movimento, de 1958 a 1965, ano em que Elis Regina venceu o Festival da TV Record e inaugurou o que ficou conhecido como Música Popular Brasileira, ou simplesmente MPB.

As imagens do contexto histórico serão projetadas em 28 janelas da Oca, todas com dois metros de diâmetro. São instantes célebres, como a chegada da cadela Laika à lua, as jogadas geniais de Pelé, anúncios da época, capas de revistas famosas, além de personalidades brasileiras e estrangeiras.

Nas seis janelas restantes, estarão os jukeboxes, onde o público terá acesso a 94 gravações. O som é centralizado e a técnica utilizada se assemelha a um iPod. Com um simples toque, o visitante verá a capa do LP, a letra da música, que serão projetados no centro de grandes discos de vinil.

O primeiro andar será dedicado a Tom Jobim e Vinicius de Moraes, além da Turma da Bossa. O espaço dedicado a Jobim será decorado com cerca de 40 banquinhos de piano, onde o público poderá sentar-se para assistir a “Vou Te Contar”, filme inédito de 15 minutos dirigido por Dora Jobim, neta do maestro. Ao lado de cada banquinho, haverá uma estante com uma partitura, de onde sairá o som.

Na área reservada a Vinicius, serão colocadas 30 poltronas para que a platéia assista a “Vinicius de Moraes”, filme inédito de 10 minutos de Miguel Faria Jr., diretor do documentário “Vinicius”. O vídeo foi criado especialmente para a exposição e traz imagens que ficaram de fora do longa, lançado em 2005. No espaço dedicado à Turma da Bossa, o público poderá se sentar em pufes e almofadas - decoração inspirada no apartamento de Nara Leão - e assistir a uma versão reduzida do filme “7 X Bossa Nova”, de Belisário Franca.

No espaço central do primeiro andar, serão projetados três filmes que explicam musicalmente a invenção da bossa nova e suas influências, o samba, o jazz e a música clássica. No mesmo andar, será instalada a câmara anecóica (sem eco).

No segundo andar, a cúpula celestial da Oca, será criado um ambiente para contemplação. Em um sofá semicircular de 36 metros, o público poderá se deitar para assistir a uma projeção do mar filmada por Marcello Dantas, e ouvir alguns dos principais clássicos da bossa nova, tocados em uma vitrola com o som original do vinil.

O subsolo é voltado para dez momentos relevantes da história do movimento musical, que serão retratados através de curtas temáticos, de seis a sete minutos. Os vídeos serão projetados em dez conjuntos de placas de vidros, com som localizado. Cinco vídeos foram dirigidos por Haná Vaisman, com foco em amplo material de pesquisa. Os cinco vídeos restantes têm a assinatura de Raquel Couto, que dirigiu mini-documentários com depoimentos inéditos.

A praia de Copacabana também ressurge no subsolo, em uma faixa de areia de 570 metros quadrados e um calçadão com a célebre pedra portuguesa, de 3 metros de largura por 60 de comprimento. Encerrando o passeio, o filme “Clarão”, de Carlos Nader, será exibido no auditório de 80 lugares. Com cerca de meia-hora, o documentário é um reflexão sobre o impacto da bossa nova na música e além, com depoimentos inéditos e/ou de arquivo.

João Gilberto, considerado o pai do gênero musical, é citado diversas vezes, mas não tem nenhum espaço especial na exposição. Segundo Dantas, o motivo é simples: “Ele não deixa, nunca deixou ser biografado”, explicou. “O João Gilberto optou por deixar a obra dele falar, e a pessoa dele desaparecer. É uma opção dele, não nossa.”

O cantor e compositor, no entanto, vai fazer quatro shows no Brasil em agosto, como parte do mesmo calendário de eventos para celebrar a bossa nova.

• Serviço

Exposição “Itaúbrasil - Bossa na Oca” no Pavilhão Engenheiro Lucas Nogueira (Oca), Parque Ibirapuera (avenida Pedro Alvares Cabral, São Paulo), de 8 de julho a 7 de setembro. Visitação de terça a domingo, das 10h às 21h. Ingressos: R$ 20,00 e R$ 10,00 (meia-entrada); às terças, entrada franca. Mais informações: www.ingressorapido.com.br e 4003-2050. Visitas guiadas para grupos: informações pelo telefone (11) 3883-9090.