08 de julho de 2026
Bairros

E a saúde, como vai?

Wagner Carvalho
| Tempo de leitura: 3 min

Se fosse para definir a saúde pública municipal em uma só frase, a que melhor se encaixaria no momento seria o ditado popular “Deus ajuda a quem cedo madruga”. Pelo menos, para os milhares de usuários que precisam passar por uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para conseguir atendimento médico.

Pessoas aguardando nas filas durante a madrugada (cerca de cinco horas antes da abertura das unidades) para conseguir vagas e demora de até dois meses, entre outros problemas, foi o que encontrou a reportagem do JC nos Bairros, que durante cinco dias percorreu as unidades municipais de saúde de Bauru em horários diferentes.

Nas UBS, quem paga pelo serviço de saúde reclama de precariedade no atendimento em alguns postos localizados no bairros e da superlotação do Pronto-Socorro Central (PSC). No último domingo, por exemplo, a reportagem flagrou pacientes sendo atendidos em macas, cadeiras e outros aguardando atenção no piso gelado da unidade.

Usuários como Isabel Faria Carranhos, que reclama do número limitado de médicos. De acordo com ela, um dos três profissionais que atende na UBS da Vila Ipiranga (que funciona provisoriamente na Vila Independência) vai deixar de atender no período da tarde no local para ser transferido para outra unidade.

“A coisa já é precária e temo que ainda piore. Fui ao pronto-socorro duas vezes com minha neta no colo e o médico disse que se tratava apenas de uma febre, mas foi aqui que a doutora que está para ser transferida identificou o início da pneumonia”, conta Carranhos.

Mário Ramos de Paula e Silva, secretário municipal de Saúde, rebate as reclamações pela falta de médicos e diz que o déficit existente hoje é nada perto do registrado no passado, há pouco mais de três anos. “Hoje, trabalhar na saúde do município é vantajoso”, afirma.

De acordo com dados da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), os médicos na cidade recebem cerca de R$ 2.700,00. Já Conselho Municipal de Saúde e o Sindicato do Servidos Municipais (Sinserm) têm outros números. Sônia Carvalho, diretora do sindicato, informa que o médico começa a trabalhar no município com salário que não chega a R$ 1.300,00. “Os que ganham mais têm bonificações e muitas horas de atendimento no plantão”, afirma.

Apesar dos investimentos em profissionais, quem recorre, principalmente, à urgência e emergência reclama que o atendimento no Pronto-Socorro Central é precário. Como resultado, pacientes são amontoados em macas nos corredores e lotam as salas de espera em busca de atendimento.

O secretário municipal de Saúde concorda que é necessário mais investimentos para conseguir oferecer um atendimento de melhor qualidade para os munícipes. Embora indique essa necessidade, o titular da pasta faz questão de comparar a situação encontrada por ele ao assumir o posto há três anos e meio atrás à atual situação. “Temos problemas, claro, mas também registramos progresso”, sustenta.

O progresso está nas unidades que realizam a promoção da saúde, como no Santa Edwirges. Lá, assim como nos demais bairros que recebem o Programa Saúde da Família, as reclamações praticamente inexistem, em razão do trabalho de prevenção e da forma de atuação, mais próxima, entre equipe de saúde e população.

É na ampliação de experiências como essa que, de acordo com Ramos, a sua gestão conseguiu inverter uma situação crítica na saúde. “Antes o sistema de urgência e emergência era utilizada pela população para atendimentos básicos, hoje nós invertemos esses números e conseguimos concentrar os atendimentos básicos na rede existente no município para esse fim”, conta.

Já os problemas, diz, decorrem em grande parte por conta do reduzido investimento do Governo Federal na saúde municipal. Segundo ele, o governo não tem dado a atenção que Bauru necessita, sobrecarregando o orçamento local.

Por conta disso, aponta, Bauru já gasta muito mais do que outros municípios do seu porte no Estado em cerca de 5 pontos percentuais. “Estamos no limite do orçamento, o que pode ser feito está sendo realizado, falta mais apoio do Estado e principalmente da União”, lamenta.