A prática no Brasil é que o eleitor vote no nome do candidato ao invés de vinculá-lo ao partido ao qual está filiado. Essa realidade pode ser observada tanto na área empírica quanto na científica. Na consulta feita pela reportagem, eleitores de sete municípios da região garantiram que escolhem o candidato principalmente pelo seu histórico e pelo que pretende realizar em prol da cidade. Apenas uma pessoa considerou o perfil do político tão importante quanto a legenda a qual está filiado.
E esse posicionamento do eleitorado é ratificado pelas pesquisas acadêmicas. Celso Zonta, cientista político e professor de psicologia social da Universidade Estadual Paulista (Unesp), diz que a distância entre a população e os partidos ocorre em nível nacional. “As escolhas no processo político se dão pelos nomes disponíveis e não pela questão partidária”, afirma.
Segundo Zonta, não existe uma força política no País com visão ideológica clara. No entanto, ele pondera que legendas como PSDB, PT, DEM e PMDB conseguem despertar a simpatia de parte dos eleitores.
O professor aponta que o voto em legenda ocorre por dois motivos. O primeiro, em pequeno grau, é a escolha de determinada legenda por consciência da proposta ideológica. O segundo fator deve-se à pulverização dos nomes em detrimento de um curto período para que se apresentem à população, em razão do pouco tempo da campanha eleitoral.
Nessa linha, surge uma questão central: até que ponto há possibilidade de transferência de votos dos governos federal e estadual na campanha municipal? Para Zonta, essa questão é secundária. “A campanha em Bauru não será estadualizada nem federalizada”, afirma. “O que a maioria do eleitores levará em conta é o perfil do candidato, sua experiência, competência e propostas para a área social”.
De acordo com o professor, numa cidade como São Paulo o cenário político nacional pode produzir uma lógica diferenciada com relação à transferência de votos, mas não em Bauru. A questão é que o município tem enfrentado problemas com pagamento de dívidas e pouca capacidade de investimento, fatores que levam o eleitorado a ter a expectativa de que surja alguém capaz de colocar a casa em ordem. Por isso a campanha local ganha peso, embora o professor aponte que esse “salvador” não existe.