Titular absoluto da ala esquerda do Noroeste, Marcelo Santos se prepara para disputar sua terceira Série C pelo clube bauruense. Em um sistema com três zagueiros, Marcelo Santos vai jogar bem adiantando, com as funções de apoiar bastante o ataque e ajudar na criação e conclusão das jogadas.
O jogador, que teve proposta para reforçar o Brasiliense na Série B, mas permaneceu no Alfredão, acredita na força do grupo noroestino, que manteve a base do Campeonato Paulista e se reforçou com jogadores experientes para conseguir o acesso.
Para o ala, as vitórias em casa serão fundamentais para o Norusca alimentar esperanças de se classificar, mas alerta que é preciso buscar pontos nos domínios dos adversários. A seguir, confira os principais trechos da entrevista que Marcelo Santos concedeu ao Jornal da Cidade, às vésperas da estréia noroestina.
JC - A preparação do clube, mantendo uma base e contratando reforços credenciados e um treinador especialista em acessos, mostra que o Noroeste encarou a Série C com reais ambições de subir, diferentemente do que ocorreu no ano passado, por exemplo?
Marcelo Santos - A gente, que já tem um histórico dentro do clube, vai vendo os bastidores. No ano passado, quando voltei para cá, a gente via duas equipes, dois treinadores e o clube não estava com aquela motivação de tentar subir. Infelizmente, entramos com os jogadores chegando em cima da hora, montando o grupo na hora da competição e tivemos muitas dificuldades, haja vista que não conseguimos passar da primeira fase. Neste ano, a permanência de muitos jogadores que disputaram o Campeonato Paulista já dá a entender que o clube pensa em chegar entre os oito e brigar, depois, pelo acesso. Ano que vem temos também a Série D, que não vai ser boa para os clubes que não conseguirem ficar entre os 20 primeiros este ano. Tem ainda a vinda do (Luiz Carlos) Martins, que é um treinador vencedor, de conquistar acessos. Então, a gente vê que a diretoria tem a intenção de chegar longe e nós jogadores também. A permanência de muitos aqui, como o Júlio, o Ralf, jogadores que fizeram um bom Campeonato Paulista e tiveram convites para sair, mas a diretoria fez força para que eles permanecessem. O meu caso também, pois tive proposta para sair e permaneci. Tudo isso faz com que a gente venha forte para esta disputa. A gente sabe que vai encontrar dificuldade, mas nosso objetivo maior mesmo é brigar para colocar o Noroeste na Série B, no ano que vem.
JC - O que dá para esperar do grupo, que, talvez, seja o mais forte que o Noroeste já montou para uma disputa de Série C?
Marcelo Santos - Temos um grupo experiente, acostumado com a divisão, com jogadores que já conseguiram acesso em outras equipes e alguns remanescentes do Campeonato Paulista. Isso nos dá uma tranqüilidade, mas, ao mesmo tempo, um alerta, porque a competição é difícil, a forma de disputa dela é difícil. A gente se sente preparado para fazer uma boa estréia diante do nosso torcedor e dar o primeiro passo rumo à classificação nesta primeira fase.
JC - Com o esquema de três zagueiros, você e o Edylton vão ganhar liberdade para jogarem bem avançados, encostando no ataque e chegando à frente como opção de jogadas constantemente. Você está preparado e adaptado para exercer esta função?
Marcelo Santos - Já trabalhei com o Martins em duas oportunidades assim. Ele tem dado confiança e liberdade para eu e o Edylton fazermos as jogadas tanto pelo lado de fora do campo quanto pelo lado de dentro, ajudando o Bruno (Soares) na criação das jogadas. Espero que no jogo possamos desempenhar bem a função, porque é papel fundamental na parte ofensiva da equipe, já que a gente tem dois volantes e três zagueiros para fazer o suporte na parte defensiva. A gente espera apoiar bastante e criar as jogadas para que o pessoal possa concluir. E também temos esta liberdade de chegar à frente para concluir as jogadas.
JC - Com a experiência que você tem na Série C, qual é o caminho da classificação para o Noroeste? O grupo é complicado?
Marcelo Santos - Um grupo difícil e a gente tem que respeitar os adversários. Nos jogos fora de casa, temos que roubar pelo menos um ponto. É claro que não vamos jogar para se defender fora de casa, o Martins tem esta linha de trabalhar com os três zagueiros tanto fora quanto dentro de casa, haja vista no Campeonato Paulista, quando a equipe do Mirassol veio aqui e nos surpreendeu. Ele procura sempre surpreender as equipes adversárias fora. Mas temos que fazer a lição de casa e acho que, se conseguirmos três vitórias dentro de casa, já vai nos dar uma condição de brigar pela classificação. Pelo que tenho de experiência de Série C, é isso. Em 2006, nossa eliminação foi porque perdemos do Brasil de Pelotas e do Ipatinga em casa. Isso dificultou nossa ida para o octogonal. Então, a gente já tem que entrar alerta com isso, para que a gente consiga a vitória já no primeiro jogo em casa e ganhe tranqüilidade para jogar fora.
JC - Você conhece os estádios dos adversários? O que espera o Noroeste fora de casa nesta primeira fase contra Tupi, Ituiutaba e Mirassol?
Marcelo Santos - Em Juiz de Fora, joguei em 99 com a Portuguesa. O Botafogo do Rio de Janeiro estava mandando um jogo fora de casa e estive lá com a Portuguesa de Desportos. É um campo grande, como o nosso. Tinha um gramado muito bom naquela época, não sei como está hoje. Mas é um campo que dá condições para trabalhar a bola. Em Ituiutaba, o Edylton, que estava no Barueri, comentou comigo que o campo é bem difícil, as dimensões pequenas, o gramado irregular. A gente não conhece. Em Mirassol, tivemos oportunidade de jogar lá este ano. Mas acho que a gente tem que estar preparado para todas as situações. A Série C é um campeonato difícil de ser jogado pela sua forma de disputa e por estas dificuldades que se encontra: campos pequenos, torcedor bem próximo apoiando sua equipe. Mas um time que quer subir, que quer ser vencedor, tem de passar por todas estas dificuldades. Estaremos preparados para suportar todas as pressões e atravessar os obstáculos.