11 de julho de 2026
Esportes

Personagem: Kajuru recebe fãs no lançamento do livro

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 2 min

O comportamento afável no contato com os fãs, que se aglomeram na crescente fila, não impedem as pitadas de humor ácido seguidas pela seriedade em temas polêmicos e sinceridade onipresente da língua ferida do jornalista Jorge Kajuru.

Numa agitada tarde de autógrafos, realizada ontem no “Empório Cultural”, do Bauru Shopping, o auto-intitulado “Gordo, feio, ‘ex-pobre’, e muito feliz”, lançou oficialmente na cidade a nova edição do livro “Condenado a Falar – De A a Z Pólvora Pura”, onde desnuda facetas do futebol, televisão, política e imprensa, raramente miradas pelos holofotes. “Qualquer segmento na vida tem seus dois lados, mas esses ‘quatro poderes’ têm dois : um bom e outro muito sujo, que ninguém escreveu”.

Nas lojas ao preço de R$ 15, a segunda edição do livro, que, na primeira impressão era vendido a apenas R$ 1, de acordo com o autor, é, de fato, a obra em sua íntegra. Segundo Kajuru, para oferecer o livro, em sua primeira edição, a um preço acessível, a obra sofreu cortes, o que não ocorre agora. “Como a gráfica aceitou fazer o livro por R$ 1, ela praticamente ‘censurou’ a primeira edição, porque tirou 68 páginas. Curiosamente, foram retirados artigos contra o presidente da república”, ironiza. “A segunda edição é que considero meu livro de fato”, atesta.

Nas intituladas “páginas negras”, que agora chegam ao conhecimento do grande público, ele esmiuça os escândalos de corrupção no esporte e vai ao âmago de outros temas, contrariando o ditado: “política, futebol e religião não se discute”. “É por isso que o livro veio com o preço mais caro, porque não encontrei nenhuma gráfica disposta a deixar tudo o que nele estava escrito (pelo preço antigo)”, detalha.

As polêmicas que recheiam as 264 páginas do livro vão da relação esporte/mídia até as entranhas da mídia, entre eles as respectivas relações TV Globo/CBF e Record/igreja “Universal do Reino de Deus”. “Essa história culmina com o Vaticano, mostrando a isenção do livro”, garante o jornalista, que, descontraído, assume a fase de “vacas gordas”. “Sou gordo, feio, ‘ex-pobre’ e muito feliz porque, graças a Deus, o livro está vendendo”, comemora Kajuru, defendendo a bandeira da sinceridade integral, apesar de já ter sido condenado “por” falar. “Eu não tenho periquito para criar. Cada um nessa vida tem uma missão e a minha é essa. É muito gostoso você ser o que é mesmo, e não um personagem, fazer tipo. Ética é uma só”, defende.

Porta-voz de lances que passam longe dos “melhores momentos”, Kajuru incentiva a paixão pelo esporte, “com moderação”. “É apaixonante. O que não é integro você alienar o telespectador, falando que ‘o torcedor ama’, como faz o Galvão Bueno, o Luciano do Vale, o Milton Neves ou o Fernando Vannucci”, destila. É apenas uma paixão gostosa”, resume. “O futebol é uma coisa de milhões, não troque sua família pelo futebol. Goste dele, mas não o tenha como algo de outro mundo. Pelo contrário, é de um submundo”.