08 de julho de 2026
Regional

Lula e Serra: quem pode mais na região?

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

A disputa pelas prefeituras na região de Bauru dá a arrancada para sucessão numa corrida eleitoral que não tem apenas a característica de colocar figuras políticas conhecidas frente a frente pelo voto do eleitorado. O que se percebe ao conferir a maior parte das coligações definidas nos municípios é que PT e PSDB nunca estão do mesmo lado. Donde se conclui que se não estão juntos é porque pretendem definir espaços de poder político, não apenas na esfera de disputa estadual como também na federal. É a polarização entre duas legendas que possivelmente rivalizarão nas eleições presidenciais de 2010, mais uma vez.

Passado o prazo para registro de candidatura, em vários municípios o embate PT-PSDB já está nas ruas. As duas legendas puxam frentes partidárias com que disputarão para superar uma a outra. É o caso dos municípios de Botucatu e Jaú, que juntos abrigam uma população estimada em 246.269 habitantes, conforme a contagem realizada no ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A vinda do senador petista Aloizio Mercadante a Botucatu, no início do mês passado, demostra que o Planalto irá ter uma agenda com figuras renomadas “passeando” na região. A frequência será de ministros, deputados e senadores no intuito de ajudar na campanha. Essa é a resposta à proibição de showmícios, vetados pela lei eleitoral. Cantores consagrados dividindo palco com candidatos, até então, era uma estratégia de sucesso para atrair o eleitorado.

Mercadante não veio fazer campanha, mas foi recebido com pompa quando já estava acertado, porém não oficializada, a pré-candidatura de Valdemar Pereira de Pinho, até então apenas vice-prefeito e secretário de Saúde do governo Antonio Mário de Paula Ferreira Ielo (PT).

Na disputa em Botucatu, os tucanos trazem o jovem João Cury, filho de um ícone da política botucatuense, o ex-prefeito Antonio Jamil Cury, falecido em dezembro de 2004. Quem fala de Jamil não deixa de citar que ele foi um dos conselheiros do então governador Mário Covas, além de governar a cidade por duas vezes, ajudar a eleger outros prefeitos e também o então deputado estadual Milton Flávio, lançado em 1994 para a disputa de uma cadeira na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp).

Jeito jauense na política

Em Jaú, o PSDB detém uma hegemonia construída a partir de 1993 quando Waldemar Bauab assumiu a prefeitura. Segue-se com a eleição de Paulo Sergio de Almeida Leite (1997-2000) e na sequência João Sanzovo Neto (2001-2004 e 2005-2008).

Agora, é a esposa do ex-prefeito Paulo Sérgio, Heloiza Almeida Leite (PPS), quem encabeça a coligação que tem como candidato a vice-prefeito Antonio Marcos Rodrigues do PSDB. Equivoca-se quem imaginar que Heloiza é uma estranha no ninho tucano. Quando o marido era prefeito, ela era filiada ao PSDB. Como avalia um vereador do PSDB jauense: “Elegendo-se Heloiza pode-se dizer, de fato, que se está elegendo o PSDB”.

A política jauense se mostra dinâmica, pois diversas vezes Paulo Sérgio, na condição de ex-prefeito, e o atual prefeito Sanzovo Neto trocaram farpas. Para as eleições de 5 de outubro, estão no mesmo palanque, independente das arestas terem sido devidamente aparadas.

Nesta perspectiva política, entende-se que o adversário é outro. No caso há várias ameaças entre as seis candidaturas, de um total de sete, que brigam pela Prefeitura de Jaú. O Partido dos Trabalhadores encabeça uma coligação com o vereador Rafael Lunardelli Agostini. Outro nome forte no páreo de Jaú é o do candidato verde Osvaldo Franceschi Júnior.

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PT x PSDB

A disputa entre PSDB e PT não está circunscrita apenas aos maiores municípios da região de Bauru. A corrida eleitoral particular entre as duas legendas está acirrada em Areiópolis, Presidente Alves, Santa Cruz do Rio Pardo, Espírito Santo do Turvo com os dois partidos com candidaturas puxando as coligações.

Em outros municípios, onde as legendas não são cabeça oferecem vices. O PT em Bariri, Bocaina, Garça, Avaí e Mineiros do Tietê. Os tucanos cedem vice-prefeitos em Macatuba, Pederneiras, São Manuel e Jaú. Em outros municípios, PT e PSDB seguem caminhos opostos na disputa “escondidos” nas teias de intrincadas coligações partidárias.