09 de julho de 2026
Política

Saúde é tema da 1ª sessão em campanha

Alcir Zago
| Tempo de leitura: 4 min

Na primeira sessão da Câmara Municipal de Bauru após o início do calendário eleitoral, os vereadores concentraram boa parte de seus discursos na tribuna livre com temas que trazem apelo na direção de problemas da cidade e que afligem a população. A ´bola da vez´ na sessão de ontem foi a proposta em lei enviado pelo prefeito Tuga Angerami para contratar médicos temporários, pelo prazo de um ano, para minimizar a carência em algumas especialidades, como psiquiatria.

Não por outra razão, o principal foco nos discursos de ontem no Legislativo foi dado à saúde. O tema foi abordado pelo JC sábado, em matéria que tratou especificamente da contratação temporária de médicos, e no caderno do último domingo do JC nos Bairros.

O retrato atual da saúde gerou divergência de opiniões. Primo Mangialardo (PV) e Rodrigo Agostinho (PMDB) expuseram casos de pacientes que buscam atendimento, mas não conseguem. O primeiro relatou que um bauruense ficou das 6h às 12h na Unidade Básica de Saúde (UBS) da Vila Cardia, mas foi orientado por servidores a buscar atendimento na UBS do Parque Vista Alegre.

E como o problema é crônico na busca por uma consulta, a crítica navegou para a ironia com extrema facilidade: “Acho que devemos proibir as pessoas de ficarem doentes, porque esperam meses por exames e nada conseguem”, disse Primo.

Agostinho utilizou a reportagem do JC de domingo para afirmar na direção da crise estabelecida no setor. Segundo o peemedebista, o guarda José Rodrigues dos Santos o procurou para informar que desde janeiro de 2007 aguarda atendimento na área de neurologia. “É um absurdo a população ter de vir à Câmara para pedir auxílio”, disse Agostinho.

Já José Clemente Rezende (DEM) procurou minimizar os problemas em relação ao tempo de sua existência. Para o vereador, os problemas na área ocorrem no País todo. Citou que o município gasta metade do orçamento com duas pastas: 25% na Educação; e 24% na Saúde. “Não podemos creditar os problemas da saúde a esta administração porque eles ocorrem há muito tempo”, amenizou.

Grade diferenciada

Alguns parlamentares bateram na tecla de que é preciso a prefeitura pagar salários mais altos para os médicos, assunto que de tão batido já virou comum nas colocações sobre como atrair mais médicos para o sistema. “Há filas nas unidades de saúde e para resolver o problema é preciso contratar mais médicos e pagar mais para eles”, disse com obviedade o tucano Marcelo Borges. “O salário pago a esses profissionais em Bauru é o mais baixo da região”, completou.

Majô Jandreice (PC do B) e João Parreira (PSDB) concordaram. Segundo eles, há necessidade de reestruturação da Secretaria Municipal de Saúde e revisão da tabela de pagamento dos médicos. Era como se os discursos ouvidos nesta mesma época há quatro anos virassem repeteco. Mas como não foram resolvidos, voltaram à cena.

Críticas à atual administração foram feitas pelo presidente do Legislativo local, Paulo Madureira (PP). Segundo ele, a prefeitura fechou dois postos de saúde (Mary Dota e Ipiranga) sob a alegação de que iria melhorar o atendimento nos ambulatórios, o que, comentou, não ocorreu. De acordo com ele, é necessário cobrar o governo federal para aumentar a tabela do Sistema Único de Saúde (SUS) e separar os hospitais que atendem pacientes do SUS e particulares.

Madureira, Clemente e Primo aproveitaram o momento para lançar o desafio a partir de 2009. “O próximo prefeito não poderá melhorar a saúde com os recursos próprios. Ele terá de buscar união de forças e recursos nos governos federal e estadual”, relatou o demista. “Peço que as pessoas esperem até janeiro para que a saúde possa começar a melhorar”, disse Primo.

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Outros temas

Não foi só o tema saúde que dividiu a opinião dos vereadores na sessão, mas todos já com ingrediente eleitoral, de uma forma ou de outra. Borges, por exemplo, mencionou que recentemente a Caixa Econômica Federal (CEF) assinou 147 convênios com municípios da região, nenhum deles para Bauru.

Segundo o tucano, a culpa pela falta de repasse não é da União, mas da falta de resposta da atual administração. “O próximo governo que vem aí vai precisar correr atrás dos recursos”, politizou ele. A questão do aeroporto Moussa Tobias levou Agostinho a criticar o governo estadual e Parreira, a defendê-lo.

O peemedebista disse que aparelhos para controle de tráfego da pista local estão num depósito em São Manuel há seis meses. “O aeroporto foi feito com dinheiro da União e do Estado e agora há essa demora na instalação dos equipamentos”, afirmou Agostinho.

Já Parreira defendeu a possibilidade de crescimento da cidade e da região com investimentos no aeroporto. Em seu discurso, informou que o deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) está agendando uma reunião com o governador José Serra para tratar do assunto.