08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Frank Sinatra e a LEI SECA Americana


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Como o Frank, estamos vivendo uma época da LEI SECA. Frank Sinatra, filho de Marty e Dolly Sinatra, também viveu no começo de sua vida artística, a vigência da Lei Seca, que proibiu o comércio de bebidas alcoólicas nos Estados Unidos de 1920 a 1933. As ligações de Frank Sinatra com mafiosos foram por muito tempo objeto de especulações do grande público e quase uma obsessão para os investigadores do FBI (a polícia federal dos Estados Unidos).

Em diversos momentos de sua vida o cantor se viu forçado a dar explicações sobre seu envolvimento com o crime organizado, ora para a imprensa, ora para a polícia. Agora, anos após sua morte, um novo livro sobre o ídolo explora certos episódios e fatos que, segundo os autores, provam que Frank Sinatra não apenas manteve relações estreitas com chefões da Máfia, como também se beneficiou delas ao longo de sua carreira.

Em Sinatra: The Life, Anthony Summers (autor do livro), ex-repórter da BBC, e sua mulher, Robbyn Swan, detalham a investigação que os levou a traçar um perfil bastante sombrio do astro. As 576 páginas da biografia estão recheadas de casos de corrupção, espancamentos, contrabando de bebidas durante a vigência da LEI SECA, traição e mortes, num roteiro digno de um filme de gângster.

Para provar sua tese, o casal de biógrafos recorre ainda a relatos de parentes, amigos, informantes da polícia e depoimentos de mafiosos às autoridades, todos com afirmações categóricas ou insinuações sobre a participação de Sinatra em crimes, reuniões e esquemas fraudulentos da Máfia Ítalo-Americana.

Segundo Summers e Swan, a conexão vem da pequena cidade italiana de Lercara Friddi, no noroeste da Sicília.

Ali nasceu Francesco Sinatra, avô de quem Frank foi muito próximo, e também um sujeito batizado como Salvatore Lucania, que mais tarde ficaria conhecido como Lucky Luciano, que para muitos "foi o fundador da Máfia moderna". O livro aponta a amizade entre as famílias conterrâneas como mais uma evidência de que Luciano e Frank foram mais que simples conhecidos.

Ainda sobre os laços familiares que aproximavam os Sinatras do crime, é significativo o fato de os pais do cantor, Marty e Dolly, terem sido proprietários de um bar em New Jersey em plena vigência da LEI SECA, que proibiu o comércio de bebidas alcoólicas nos Estados Unidos de 1920 a 1933.

Era claro que, para vender o principal produto de um bar, os donos teriam de fazer negócios com criminosos, mais especificamente com o contrabandista Waxey Gordon, conhecido comparsa de Lucky Luciano.

Ainda que a convivência de Sinatra com mafiosos tenha sido de certa forma forçada no início de sua vida, a verdade é que ele sempre admirou os gângsteres que rondavam sua família, segundo os autores. E, quando Frank iniciou sua carreira como cantor, essa admiração passou a ser mútua e bastante útil para ambas as partes.

Em 1942 Sinatra decidiu abandonar a banda de Tommy Dorsey, com quem cantava havia dois anos. O maestro exigiu que o cantor cumprisse o contrato até o fim. Frank acabou assinando um acordo pelo qual saía, mas repassava boa parte dos lucros futuros a Dorsey. Um ano mais tarde, quando sua carreira explodiu, mas a chuva de dólares irrigava a conta de Dorsey , Sinatra se arrependeu do contrato.

Segundo os biógrafos, a Máfia enviou emissários que fizeram a Dorsey, no jargão da Cosa Nostra, “uma oferta que ele não pôde recusar”. Os mafiosos negam o uso de violência, mas não escondem a ajuda financeira dada ao cantor.

Em artigo publicado na revista Vanity Fair, Summers e Swan citam Joseph ‘’Doc’’ Stacher, um dos homens de Luciano: ‘’Os italianos entre nós tinham muito orgulho de Frank. Eles sempre disseram ter gasto muito dinheiro para ajudá-lo em sua carreira, desde os tempos da banda de Tommy Dorsey’’.

Sinatra retribuía fazendo shows em cassinos e casas noturnas de mafiosos, entre outros favores. O comediante Jerry Lewis conta que Sinatra transportou dinheiro da Máfia em diversas ocasiões. Quase foi pego em uma delas. Ao voltar de viagem, no aeroporto de Nova York, Frank foi parado na alfândega.

Sua mala tinha US$ 3,5 milhões, em notas de 50. Escapou porque a multidão de fãs se acotovelando atrás do cantor levou o fiscal a desistir da revista. “Se o dinheiro tivesse sido encontrado, nós nunca mais teríamos ouvido falar dele”, ri Lewis.

Para gerenciar sua carreira e cuidar de seus interesses, Luciano teria designado dois de seus comparsas: Joe Fischetti e Sam Giancana, que viria a ser o manda-chuva do crime organizado em Chicago e era o responsável por “resolver” eventuais problemas para Sinatra.

Fischetti, por sua vez, foi um dos acompanhantes de Frank na polêmica viagem que este fez em 1947 a Havana, de onde Luciano retomava suas operações após breve exílio na Itália. Críticos do livro argumentam que ele peca por se prender mais aos episódios policiais e menos aos aspectos culturais da vida de Sinatra. Mas talvez por isso mesmo ele seja tão interessante.

Principalmente para quem gosta de histórias de mafiosos. Esta analogia da vida de Sinatra com a nossa LEI SECA e a máfia Italo-Americana, nos mostra que alguém, não sabemos quem, vai lucrar com isso.

Seja na corrupção, oferecida aos policiais, que infelizmente acreditamos que poderá vir a “acrescentar“ salário aos nossos servidores mal remunerados pelo poder público, que pela própria situação familiar e financeira, serão alvos fáceis neste processo corruptivo, como também pela má gestão da política de trânsito em nossas cidades, no Brasil como um todo.

Se a nossa polícia fosse melhor remunerada, com salários dignos, e também melhor preparados para as suas tarefas, de protetores da LEI, sabedores da responsabilidade que lhes é conferida, não haveria a necessidade de estarmos vivendo este ESTADO DO MEDO. E nós, injustiçados cidadãos, cumpridores dos nossos deveres, somos mais uma vez, as vítimas.

Marco V. Machado - bel em Direito