11 de julho de 2026
Geral

Revolução de 32 também foi luta por liderança de S. Paulo

Por Marcelo de Souza | Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

Dia 9 de julho é uma data a ser comemorada por todos os paulistas e, porquê não, pelos brasileiros de modo geral. Afinal, foi a luta para que o então presidente Getúlio Vargas convocasse uma assembléia nacional constituinte, bandeira pela qual vários paulistas foram mortos no campo de batalha. Este é um lado da história, o lado oficial, mas a historiadora Sônia Mozer chama a atenção para a motivação política. “A idéia era derrubar Getúlio Vargas e retomar a liderança do Estado de São Paulo”, explica.

Segundo a historiadora, é importante destacar que a Revolução de 1932 começou após o Estado de São Paulo e as oligarquias cafeeiras perderem o domínio sobre o governo federal. Ela explica que o cenário anterior aos eventos era da chamada política do café com leite, em que os fazendeiros paulistas e os mineiros se alternavam no poder. “Essas oligarquias se desgastaram muito durante a década de 20. Elas passaram a ter uma oposição mais forte e o complicador da situação foi a crise de 1929. Ou seja, o poder dos fazendeiros paulistas estava concentrado em cima da exportação de café, e a crise de 29 vai mandar isso pelos ares”, explica.

Foi nesse contexto que as eleições presidenciais de 1930 foram realizadas. O candidato do governo, Júlio Prestes, venceu as eleições contra Getúlio Vargas, porém, segundo a historiadora, naquela época era praxe o candidato do governo vencer, não importa quem fosse. “Os candidatos da República Velha não faziam campanha eleitoral. Houve candidato que, durante esse período, nem estava no Brasil. Também houve candidato que venceu a eleição com 95% dos votos”, destaca.

Vargas foi um candidato muito forte, da Aliança Liberal, uma frente de oposição, que de forma geral aceitou a vitória de Prestes. No entanto, a candidatura de Vargas tinha despertado na população muitas perspectivas. “É o momento em que a Aliança Liberal percebe o seguinte: se eles não fizessem uma revolução para derrubar o presidente Washington Luís e impedir a posse de Júlio Prestes, o próprio povo faria essa revolução. Aliás, essa é uma frase de um dos participantes: ‘Façamos a revolução antes que o povo a faça’”, frisa Mozer.

Poder

E a revolução de 1930 derrubou as oligarquias. Sônia Mozer explica que, apesar de ser uma aliança de oposição, nenhuma das correntes que a compunham tinha força o bastante para assumir o poder. “É por isso que Getúlio Vargas consegue manobrar e chegar à presidência. Nesse contexto São Paulo é perdedor, porque perdeu o mando político do País”, diz.

A Revolução Constitucionalista começa a se desenhar a partir desse cenário, apesar de Vargas ter sinalizado auxílio aos fazendeiros de café, que passavam por uma crise sem precedentes. Apesar desse “gesto de boa vontade”, o antigo Partido Republicano Paulista (PRP), a burguesia e os fazendeiros fazem uma grande campanha contra Getúlio, entre 1930 e 1932. “Esta campanha não usava como bandeira a realidade, que era o fato de que São Paulo estava desgostoso por ter perdido o mando político. Ela usava uma bandeira que o próprio Getúlio tinha deixado como flanco aberto, ou seja, ao assumir o poder ele tinha anulado a Constituição, isso deu para o governo provisório um aspecto de ditadura e é isso que a burguesia e os fazendeiros paulistas utilizaram: São Paulo estaria pedindo uma Constituição para o País”, explica.

Essa campanha levou o povo às ruas, até que em 23 de maio de 1932, numa das manifestações, ocorre um tiroteio e as forças do governo matam os jovens Mário Martins de Almeida (conhecido como Martins), Euclides Bueno Miragaia (Miragaia), Dráusio Marcondes de Souza (Dráusio) e Antônio Américo Camargo de Andrade (Camargo). “Portanto, havia agora uma bandeira a mais. A idéia era derrubar Getúlio Vargas e retomar a liderança do Estado de São Paulo, mas a bandeira propagada foi a de São Paulo lutar pela Constituição, pela legalidade”, ressalta.

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PM comemora

A Polícia Militar de Bauru vai realizar hoje, às 9h, no quartel do Comando de Policiamento do Interior-4 (CPI-4), solenidade comemorativa aos 76 anos do aniversário da Revolução Constitucionalista de 1932. O evento contará com a presença do presidente da Associação dos Veteranos de 1932, Heny Scaf.

Aos 97 anos, ele lembra com detalhes do período que lutou na Revolução. “Saímos de Avaí, paramos em vários locais e recebemos instrução em Lorena. Depois fui para Piquete e lá ficamos entrincheirados, mas com pouca munição. Quando entramos no Rio de Janeiro, confiscaram nossas armas”, conta. Com memória impecável e boa saúde, Scaf continua ativo. “Duas vezes por semana vou para o sítio e capino.”

Além de veteranos que serão homenageados, a PM receberá escoteiros dos grupos Guia Lopes e autoridades civis e militares. A solenidade é aberta.