08 de julho de 2026
Nacional

Cerca de 300 participam de enterro

Por Da Redação | Com Folhapress e AE
| Tempo de leitura: 1 min

Rio - Cerca de 300 pessoas participaram no final da tarde de ontem do enterro do menino João Roberto Amorim Soares, 3 anos, baleado por dois PMs na Tijuca, na zona norte do Rio, anteontem. A mãe e uma das avós do menino passaram mal durante o sepultamento que aconteceu no cemitério do Caju.

Ao chegar no cemitério, o pai de João, o motorista de táxi Paulo Roberto Soares, pediu mudanças na Polícia Militar (PM) do Rio. Ele chamou de monstros os PMs que atiraram contra o carro de sua família e afirmou que, mesmo que fossem bandidos, os PMs não deveriam ter atirado. “E se fossem bandidos? Qual o problema? Prendessem os caras. Não podem botar monstros na rua para matar pessoas. Aqui não tem pena de morte.” Também participaram do enterro parentes de pessoas mortas em decorrência da violência e por PMs, no Rio.

Crianças córneas

Um menino e uma menina do Estado do Rio devem receber nos próximos dias as córneas de João Roberto Amorim Soares, 3 anos, informou a Secretaria de Estado de Saúde. O transplante depende ainda de o tecido ser aprovado no teste feito pelo Banco de Olhos, para afastar o risco de transmissão de doença infecto-contagiosa. Se tudo estiver certo, a cirurgia tem prazo de 12 dias para ser realizada. Por lei, a identidade dos receptores não pode ser revelada.

A decisão dos pais de João Roberto de doar os órgãos do menino joga luz para uma questão séria - a dificuldade de captação de órgãos de crianças. No Rio, apenas 10% dos transplantes realizados beneficiam crianças - cerca de 1.500 aguardam na fila por rim, fígado ou córneas. O Estado ainda não tem programa para transplante de coração infantil.