São Paulo - O prefeito de São Paulo e candidato à reeleição, Gilberto Kassab (DEM), afirmou ontem que os secretários do PSDB que fazem parte do seu governo vão ajudar na formulação de seu plano de governo. Ele admitiu que a situação é peculiar - já que os tucanos têm seu próprio candidato -, mas negou que faça imposição a seus “colaboradores” do PSDB.
“Os meus secretários participarão da elaboração do meu programa de governo. Não tem nenhum sentido os secretários não participarem do meu programa, que será de continuidade”, disse. “Esse plano de governo será um plano meu para com o PSDB.”
Ao confirmar a participação de secretários tucanos em sua campanha, Kassab tratou de defendê-los, afirmando que não há falta de ética nessa adesão. “Acho muito natural que alguns deles estejam conosco, afinal, é o governo deles e também é eticamente correto. Não está sendo uma conduta imoral aqueles que estiverem me apoiando”, disse, depois de participar da solenidade comemorativa do 76º aniversário da Revolução Constitucionalista de 1932, no parque do Ibirapuera, zona sul da cidade.
Kassab admitiu, no entanto, que esse apoio não é natural. “A situação é peculiar nessas eleições. O PSDB está no meu governo com vários colaboradores, os vereadores apóiam o meu governo, mas o partido tem outro candidato, [o ex-governador Geraldo Alckmin”.
Ele afirmou que não pretende impor aos tucanos de seu governo a obrigação de trabalhar pela candidatura. “Eu jamais vou cometer a deselegância com o meu secretariado ou com os vereadores de fazer qualquer imposição. O que me cabe é ficar isento e distante dessa questão.”
Mesmo que algum secretário prefira trabalhar por Alckmin, ele disse que não ficará ressentido. “Jamais farei qualquer consulta, não terei mágoa de ninguém. O importante é que tenham a liberdade para fazer aquilo que tenham vontade e acham correto”, concluiu.
Segundo turno
O prefeito de São Paulo evitou polemizar as declarações de Alckmin, que ontem praticamente descartou a possibilidade de enfrentar o democrata no segundo turno.
Segundo o ex-governador, a eleição ficará polarizada entre sua candidatura e a da ex-prefeita Marta Suplicy (PT). Para o prefeito, no entanto, a apresentação de seu programa de governo o colocará no segundo turno.
Kassab buscou mais uma vez não contrariar Alckmin, seguindo sua estratégia em relação aos principais adversários.
Enquanto partirá para o ataque contra Marta, ele evitará o confronto direto com o ex-governador. Ele quer polarizar a campanha com a petista para garantir o apoio de Alckmin em um possível segundo turno.
“Eu prefiro me concentrar em minha campanha”, respondeu Kassab ao ser questionado sobre as declarações do candidato tucano.
Mesmo poupando o ex-governador de críticas, Kassab afirmou que é cedo qualquer prognóstico sobre as eleições municipais. “A campanha se iniciou esta semana”, disse.
Pesquisas
O prefeito se disse motivado com o restante da campanha, apesar de estar em terceiro lugar na última pesquisa Datafolha, com 13% das intenções de votos.
Marta está na liderança, com 38%, e Alckmin segue na segunda colocação, com 31%. “Estou bastante motivado com o carinho que venho sendo recebido ao longo desta semana pela população nos locais em que fiz campanha e pedi votos”, disse.
Ele negou que seu otimismo seja protocolar. “Não é protocolar. A motivação vem da avaliação positiva que a população faz da nossa gestão.” O atual prefeito tem a maioria dos integrantes PSDB nas mãos.