08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Leishmaniose


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Ao ler a afirmação do veterinário Fabiano Borges Figueiredo, da FIOCRUZ, em pesquisa sobre a Leishmaniose em Bauru, que “a vacina contra a leishmaniose não é reconhecida pelo Ministério da Saúde”, fiquei muito confusa. Quem regulamenta os remédios veterinários, o Ministério da Agricultura ou da Saúde? Em todas as vacinas e medicamentos veterinários que conheço está escrito: “Licenciado no Ministério da Agricultura sob o no....” (Por exemplo: Flotril – n. 4.752 em 03/08/1994; Quantum Felis 4 – Vacina Quádrupla Felina - n. 9.328 em 13/7/2007; Ray-Pet Biovet – Vacina Contra Raiva Animal - n. 8657/03 em 22/07/03). Em nenhum deles já encontrei qualquer referência ao Ministério da Saúde, que licencia medicamentos para humanos. Inclusive na vacina anti-rábica dada pela Secretaria da Saúde de Bauru na campanha de vacinação de 2005, tem apenas: Vacina TECPAR – licenciado no Ministério da Agricultura sob n. 148 em 12/06/74. A Leishmune, vacina contra a leishmaniose Visceral é licenciada no Min. da Agricultura sob o n. 8.627 em 11/06/03. Será que só com a vacina contra a Leishmaniose que o Ministério da Saúde é responsável?

O Ministério da Agricultura licencia um medicamento ineficiente? Ou será que o Estado e o Município querem se isentar da responsabilidade (e do custo) de fazer uma campanha anual de vacinação contra a Leishmaniose (como se faz a anti-rábica) nas cidades com grande incidência da doença, como Bauru? Não seria de se estranhar, pois pelo Decreto n. 40.400 de 24/10/95, artigo 37, é “obrigatória a vacinação de animais contra a raiva e a leptospirose” pelos municípios. Alguém já viu a prefeitura vacinar algum cão contra a leptospirose? Pena que aqui a lei só fique no papel (com a palavra o promotor do Meio Ambiente).

É lastimável que os órgãos públicos que têm por obrigação cuidar da saúde do cidadão queiram descredenciar uma vacina que pode evitar que milhares de cães e de pessoas morram pela Leishmaniose, pois aqui nada é feito pelo poder público além de matar cães e mandar que se limpem os quintais. Mas é só isso que controla a Leishmaniose? “... retirar um cão e deixar insetos infectados pode estar desviando repastos infectantes para pessoas suscetíveis. As gerações futuras vão se referir a isto como atitudes de uma era ignorante e brutal.” (Dr. Carlos Henrique Nery Costa professor da Universidade Federal do Piauí, médico do governo do Estado do Piauí, coordenador executivo da Rede Nordeste de Biotecnologia com Doutorado em Saúde Pública Tropical em Harvard University).

Dinéia Rasi Baptista - RG 6.343.249 - dineiarasi@uol.com.br