Está em vigor a nova lei do trânsito para punir motoristas alcoolizados, porém ainda não vi uma lei pela qual pessoas alcoolizadas deveriam ser encaminhadas para tratamento de saúde, pois segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) alcoolismo é uma doença e sendo assim deveria ser tratada como caso de saúde pública. Será que teremos cadeia para tantos “bebuns”?(!)
Não seria melhor investir em hospitais?(!) E, enquanto a própria família, os amigos e, até mesmo, o governo considerar o alcoólatra como um “bebum” e não como um doente, de nada vai adiantar leis severas para punir, pois seria o mesmo que penitenciar quem tem problemas do coração ou quem tem um câncer... O alcoólatra necessita de tratamento de saúde tanto quanto um diabético ou quem é portador do vírus do HIV e, mais ainda, necessita compreensão de que seja um doente e, principalmente, de muito amor. Pois na maioria dos casos nem o próprio doente sabe que é doente.
Alcoolismo é uma doença primária, crônica, com fatores genéticos, psicossociais e ambientais que influenciam seu desenvolvimento e manifestações. Freqüentemente, pode ser fatal. Caracteriza-se por contínuo ou periódico descontrole na ingestão de bebidas a despeito das conseqüências adversas e distorções na mente. Há uma tendência do dependente a negar a dependência ou tentar minimizá-la, alegando uma enganosa idéia de que pode controlar o consumo de álcool.
Os alcoólicos anônimos dizem que alcoolismo é uma doença tríplice: física, mental e espiritual, e de determinação fatal, podendo levar à loucura ou à morte prematura.
Estudo realizado pela OMS, divulgado apenas nos meios científicos, revela que o alcoolismo já é a terceira maior doença no país. Só perde para os males do coração e os tumores. A preocupação da OMS com os efeitos do alcoolismo na saúde da população é tal que o assunto é destaque na agenda de sua conferência anual, em Genebra
O representante do Brasil na assembléia, ministro da Saúde Humberto Costa, desembarcou em Genebra dizendo que o governo poderá anunciar, ainda este ano, uma política nacional de combate ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas (e se pronunciou mesmo.... multas e cadeia).
Portanto, antes de nos adiantarmos na punição contra a ingestão do álcool, vejo mais necessário voltar os olhos para a doença, pois agindo na origem do problema talvez não se tornará necessário punir o resultado.
Nilza Santos - R.G. 5.296.968