11 de julho de 2026
Política

Mulheres são maioria para ir às urnas, mas continuam em falta nos partidos

Alcir Zago
| Tempo de leitura: 3 min

As mulheres somam um maior contingente de eleitores, mas essa realidade nunca foi espelhada no Legislativo ou no Executivo em quaisquer níveis de governo (municipal, estadual ou federal). Das 15 cadeiras na Câmara de Bauru, por exemplo, apenas uma é ocupada por representante do sexo feminino.

Dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) referentes ao mês passado mostram que Bauru possui 233.611 eleitores aptos a votar. Desse montante, 122.110 são mulheres, 110.239 homens e 1.262 “não informado”. Existem 11.871 mais pessoas do sexo feminino.

Em contrapartida, dos 231 candidatos a vereador em Bauru neste ano, contra 277 em 2004, menos de ¼ é do sexo feminino. Em números, são pouco mais de 50 mulheres na disputa por uma cadeira na Câmara Municipal.

Para quatro das candidatas bauruenses ao cargo de vereador, o que mais contribui para esse distanciamento das mulheres na política é a cultura do País. Vale lembrar que a conquista do voto feminino aconteceu em 1932. “Existe igualdade social entre homens e mulheres, mas elas ainda têm receio de participar do processo político”, diz Gisele Moretti, 40 anos, comerciante, casada, mãe de uma filha e filiada ao PR. Moradora no Ferradura Mirim, ela conta que conversa constantemente com mulheres do bairro para que participem da política, classificada por ela como “fascinante e maravilhosa”.

A estudante Priscila Rodrigues de Lara, 20 anos, do PV, e a jornalista Regina Célia Levoto, 44 anos, casada e mãe de uma filha, filiada ao PDT, apontam que a participação da mulher não é a esperada porque os homens costumam se impor. “Observo que há muito mais interesse político, excesso de vontade e espírito de discussão e de imposição dos homens no processo”, opina Priscila. “Há uma presença machista muito grande na política de que a mulher não sabe executar e dar ordens”, comenta Regina. “As mulheres só são chamadas para participar porque é preciso preencher a cota estabelecida por lei”, completa.

A lei 9.504, de 30 de setembro de 1997, criou mecanismos de estímulo à participação feminina. O parágrafo terceiro do artigo 10º cita que “do número de vagas resultantes das regras previstas neste artigo, cada partido ou coligação deverá reservar o mínimo de 30% e o máximo de 70% para candidaturas de cada sexo”.

Representante do PP, a comerciante Ana Claudia Travassos, 35 anos, casada e mãe de dois filhos, acredita que elas têm de se esforçar muito mais para ocupar o mesmo espaço dos homens. “Para ser notada, a mulher tem de ter competência intelectual e demonstrar ser boa mãe e boa esposa”, diz. Segundo ela, a mulher participa menos da política também porque utiliza quase todo o seu tempo com o lar, a família e o trabalho.

Com exceção de Regina, as outras três candidatas participam da eleição pela primeira vez. A filiada ao PDT concorreu em 2004, mas pelo DEM. Em relação ao trabalho que pretendem realizar, caso sejam eleitas, as postulantes a uma cadeira na Câmara de Bauru afirmam que a proposta é dar um toque feminino às questões envolvendo a cidade. “A mulher é justa e ética e tem uma maneira diferente de analisar os problemas e oferecer soluções”, afirma Ana Cláudia.