Depois de ficar inativo durante dois anos e cinco meses com o fechamento da Bunge Alimentos, o prédio da antiga fábrica, na Vila Independência, em Bauru, volta a ser ocupado com uma boa notícia. A Sina Indústria de Óleos Vegetais Ltda., que possui unidades em São Paulo e em Santo Anastácio, já está contratando funcionários e anuncia o dia 1 de setembro como a data prevista para o início de suas atividades. A estimativa para a área industrial é de gerar cerca de 250 empregos, além do setor administrativo.
Em entrevista concedida ao Jornal da Cidade, o gerente industrial da empresa, Antônio Ângelo de Andrade, diz que já está recebendo currículos de interessados nas vagas. Segundo ele, a meta da Sina é de esmagar 1.200 toneladas de soja ao mês para comercializar o óleo a indústrias de alimentos e do setor químico em várias localidades do País. Futuramente, a empresa também pretende processar girassol na unidade de Bauru.
De acordo com Andrade, no início a empresa não irá exportar, mas as vendas externas estão nos planos da Sina. Tanto é que o fato de Bauru possuir porto seco (a Eadi - Estação Aduaneira Interior) foi um dos motivos que definiram a vinda da unidade para a cidade. Os investimentos da instalação da fábrica não foram revelados.
“Bauru tem porto seco, vasta produção agrícola, consumo de farelo e de óleo de soja na região e a localização estratégica da cidade (para o escoamento da produção). Temos a matéria-prima em regiões próximas daqui e temos a intenção de exportar, por isso, a existência do porto seco é importante”, observa.
Produção
Na unidade de Santo Anastácio (próximo a Presidente Prudente), a empresa possui uma refinaria de óleo. Mas sua produção também será comercializada a outras refinarias, para utilização do óleo de soja na produção de biodiesel, indústrias alimentícias, entre outras finalidades, além do farelo de soja para a indústria de rações animais. “Vamos comercializar o óleo bruto e farelo de soja”, diz Andrade. Segundo ele, além da região de Bauru, a empresa também já tem clientes em regiões como sul de Minas e Rio Grande do Sul.
Até ontem, a empresa já havia contratado cerca de 20 funcionários, sendo a maioria deles ex-funcionários da Bunge. “Nós vamos tentar reaproveitar ao máximo o pessoal que trabalhava na Bunge porque eles têm experiência nessa área. Mas estamos abertos e recebendo currículos para formar nosso quadro de funcionários”, afirma o gerente industrial.
Para Maurício Lima Verde, presidente do Sindicato Rural de Bauru e Região e vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), a instalação da empresa é uma boa notícia para a economia da cidade e para o setor agrícola da região.
“É um passo inicial para uma nova atividade agrícola aqui, principalmente pelo fato da empresa ter a intenção de trabalhar com (processamento de) girassol. O grande problema nosso é não ter agroindústria perto, o que afeta setores como da cana-de-açúcar e da madeira. Na medida em que existe uma agroindústria perto, imediatamente isso se reflete na agricultura local” ressalta.
De acordo com informações que estão no site da empresa, a Sina Indústria de Óleos Vegetais Ltda. atua no mercado de soja com o esmagamento de grãos, comercializando seus derivados em todo o Brasil e para outros países. A unidade instalada em Santo Anastácio esmaga, em média, 20 mil toneladas de grãos ao mês, produzindo farelo, óleo e lecitina de soja. “Todas as etapas da produção são acompanhadas de perto por profissionais qualificados que realizam testes diários em laboratório próprio, utilizando equipamentos modernos para garantir excelentes índices de qualidade”, consta no site.
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Algodão por soja
A Bunge Alimentos, que fabricava óleo, farelo e línter (fibra de algodão de até 12 milímetros) a partir do caroço de algodão, encerrou suas atividades em Bauru no dia 17 de fevereiro de 2006, demitindo 162 dos 180 funcionários que trabalhavam na unidade - aos outros 18 foi dada a opção de transferência.
Localizada na quadra 11 da rua Felicíssimo Antônio Pereira, na Vila Independência, a fábrica funcionava desde 1937 e, quando fechou, processava anualmente 150 mil toneladas de caroço de algodão, sua principal matéria-prima.
Na época, a assessoria de imprensa da Bunge informou que a decisão de interromper as atividades na cidade se devia ao fato da plantação de algodão no Estado de São Paulo ser pequena: apenas 7% do total do País. Com o fechamento da fábrica em Bauru, a Bunge passou a industrializar o caroço de algodão em uma unidade do grupo em Rondonópolis, no Mato Grosso.
Agora, o prédio dará lugar ao processamento de soja pela Sina Indústria de Óleos Vegetais Ltda., que prevê iniciar suas atividades em Bauru em 1 de setembro.