O acusado do crime que chocou Bauru na noite de anteontem já respondia à Justiça por ameaças que fazia à ex-companheira. Inconformado com o fim do relacionamento com a auxiliar de produção Dorotéia Cristina Monteiro, o mecânico Jeová Borges da Silva, 39 anos, invadiu a casa da sogra de Dorotéia, Maria Lúcia Bispo Dantas, 58 anos, e efetuou seis disparos com um revólver calibre 32, no final da noite de quinta-feira. Um dos tiros atingiu Maria Lúcia, que morreu no local.
Outro acertou a filha de Dorotéia de 3 anos. Os disparos restantes atingiram Emerson Bispo Dantas, de 29 anos, filho da vítima fatal e atual namorado de Dorotéia.
De acordo com a delegada Luciana Claro Rodrigues, da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), no final de abril Dorotéia procurou a unidade especializada para relatar as ameaças que vinha sofrendo de Jeová. De acordo com familiares, ela terminou o relacionamento de mais de dois anos com o mecânico em setembro do ano passado. Ela vivia com Jeová, com quem tem um filho de pouco mais de 1 ano, em Figueira, no Paraná.
A auxiliar de produção estava reatando um relacionamento antigo com Emerson, com quem já fora casada e com quem tem um filho de 11 anos. Segundo a Polícia Militar (PM), Jeová, que foi preso em flagrante logo após o crime, disse que já havia ligado várias vezes para ela, tentando fazer com que a mulher voltasse para Figueira com o filho. Diante de várias negativas, o mecânico passou a ameaçá-la, o que levou Dorotéia a procurar a DDM.
A delegada conta que na época foi elaborado um Termo Circunstanciado na DDM e que o caso já tinha sido relatado ao Judiciário. “Ele seria ouvido pela Justiça por carta precatória, em Figueira”, explica. Mas Jeová não chegou a depor. Ele veio a Bauru e procurou a residência dos Dantas, na Vila Quaggio.
Segundo relatou à PM, ele deixou o carro estacionado a cerca de 150 metros do local do crime. Em seguida, entrou furtivamente na casa dos Dantas e se escondeu, telefonando depois para a residência para saber se Dorotéia se encontrava no local. De acordo com informações do tenente Renato Ramos, que comandou a operação, quem atendeu foi o filho dela com Emerson. Diante da negativa, Jeová se manteve escondido, aguardando a ex-mulher e o namorado.
Quando o casal chegou à residência, o menino deu o recado e Emerson teria ofendido Jeová, sem saber que ele estava próximo. Ao ouvir as ofensas, o mecânico invadiu a casa e efetuou os disparos. Mesmo atingido, Emerson entrou em luta corporal com o mecânico e, com a ajuda de familiares, conseguiu imobilizá-lo, prendendo-o até a chegada da Polícia Militar, que deu voz de prisão em flagrante por homicídio e tentativa de homicídio.
Segundo a delegada, a Polícia Civil deverá tomar o depoimento de mais algumas testemunhas e relatar o caso à Justiça. Jeová está preso na Cadeia Pública de Duartina.
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Velório
A família de Maria Lúcia Bispo Dantas estava indignada na tarde de ontem. Alguns parentes, que preferiram não revelar seus nomes, acreditavam que o mecânico Jeová Borges da Silva já estava em Bauru há alguns dias, espreitando a ex-mulher. “Ontem (anteontem) ela foi até o Fórum pedir ajuda e disseram que tinha que esperar ele fazer alguma coisa para que a polícia pudesse agir. E olha só o que ele fez”, lamentava um sobrinho da vítima, durante o velório.
Segundo familiares, a filha de Dorotéia que levou um tiro na perna está bem. E Emerson, que até o fechamento da edição estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Base, já não corria mais risco de morte. “Ele está consciente, mas ainda está entubado”, revelou uma prima. “Mas nós ainda não contamos que a mãe dele morreu. Ainda é muito cedo”, diz. O corpo de Maria Lúcia será enterrado hoje, às 8h, no Cemitério Jardim do Ypê.