10 de julho de 2026
Política

Eleições: povo quer saúde e asfalto

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 6 min

O primeiro final de semana das eleições municipais 2008 foi de muito trabalho para os candidatos. Quem não aproveitou para percorrer feira, assistir evento esportivo ou passar por bairros de Bauru, participou de reuniões partidárias. A reportagem do Jornal da Cidade acompanhou momentos de cada candidato ontem, questionando os postulantes à prefeitura sobre dificuldades da campanha, o maior rigor da Justiça Eleitoral e o que a população está reivindicando nos encontros com políticos. Saúde e asfalto foram apontados como as prioridades dos bauruenses, e terão destaque nos planos de governo.

Rodrigo Agostinho

Enquanto caminhava pela feira livre da Vila Falcão, Agostinho (PMDB) destacou que está empolgado com a campanha. “Estou bastante animado, andando muito. Acabou minha vida pessoal e estou refém da minha agenda”, brincou. “É uma campanha sem recursos, mas vamos conseguir fazer de outro jeito. Muita gente quer saber das propostas, plano de governo”, destaca.

Agostinho destaca que as principais queixas dos eleitores são saúde, asfalto e geração de renda. “Inegavelmente existe uma crise relacionada à saúde. Em segundo lugar a questão de infra-estrutura, principalmente asfalto. Entra e sai prefeito, o asfalto continua o mesmo. E em terceiro lugar a geração de emprego e renda. Num quarto lugar, a questão de limpeza da cidade de maneira geral”, enumera.

Para ele, o rigor da Justiça Eleitoral é necessário. “Essa já é minha quinta campanha e em todas eu vi abuso muito grande por parte dos candidatos. E a Justiça Eleitoral existe para isso: balisar e garantir o equilíbrio dentro de um processo democrático”.

Caio Coube

Em seu comitê, o candidato Caio Coube (PSDB) discutia algumas propostas de seu plano de governo com partidários na manhã de ontem. Ele apontou o endurecimento da Justiça Eleitoral como uma das principais diferenças entre as eleições que já disputou. “Vejo a aflição dos candidatos a vereador. Isso pode enroscar uma candidatura, impedir que pessoas apliquem energia na eleição, pois além de fazer política, eles também devem se preocupar com essa retaguarda contábil”, pondera. “E hoje em dia, até trabalho voluntário durante a campanha deve ser quantificado monetariamente na prestação de contas. É o enfoque jurídico levado ao extremo, e tira essa coisa bacana de envolvimento político, pela causa. E as multas são excessivas, irreais”, destaca.

Entre as dificuldades que deverá enfrentar nos próximos meses, Caio acredita que o custo da produção da campanha para TV seja um dos principais problemas. “Nas campanhas majoritárias, a dificuldade maior é a arrecadação, porque são empreendimentos maiores. O horário na televisão é muito importante e o custo para se fazer bem feito não é baixo. O horário eleitoral gratuito é a maneira mais eficiente de atingir o eleitor, de transmitir suas mensagens, mas embora a divulgação seja gratuita, a produção destes programas é cara”, aponta.

Além de saúde e asfalto, Caio destaca que a população está exigindo um cuidado maior por Bauru. “A gente nota um sentimento de que a cidade é mal cuidada. E um pouco da ausência e distanciamento do prefeito. Ele é considerado pela população pouco presente nos eventos da cidade, celebrações”, pontua.

José Leme

Em seu encontro com partidários na tarde de ontem, no Edifício Caravelas, o candidato José Leme (PHS) destacou que sua campanha será voltada à população e focada na periferia. “Estamos fazendo trabalho de mais de um ano sempre percorrendo lugares de muito movimento, conversando com lideranças, mas ainda estamos em fase de contato. Acho que a campanha pesada começa em agosto”, destaca.

Ele também destacou que entre as principais queixas da população estão a saúde e a infra-estrutura. “Bauru enfrenta dois grandes problemas: a falta de médicos em unidades de saúde pública e também a pavimentação dos bairros”, pontua.

Márcia Camargo

Em uma residência do Jardim da Bela Vista, a candidata Márcia Camargo se reuniu com partidários. Essa é a primeira eleição da candidata do PSOL. “Sinto uma responsabilidade muito grande em representar uma frente de esquerda, de partidos verdadeiramente socialistas. Me sinto honrada, tenho aprendido bastante com companheiros que já participaram de eleições e estão na luta há 20 anos”, afirma.

Ela não acredita que terá problemas durante a campanha, nem na questão financeira. “Não queremos nos prender a ninguém, contamos com financiamento da militância, de eventos, e lançamos um desafio para as campanhas milionárias para que divulguem de onde vêm seus recursos. A cidade precisa saber disso”, provoca.

Sobre as prioridades da cidade, ela defende uma proposta de que os próprios bairros enumerem suas demandas. “Nossa proposta é a criação de conselhos populares deliberativos. Através deles a gente consegue fazer levantamento das necessidades do bairro, eles colocam as prioridades e vamos buscar sanar”, explica.

Rosa Izzo

Em meio a uma verdadeira maratona pela periferia, a candidata Rosa Izzo (PDT) e seu vice, Antônio Carlos Barbosa, foram encontrados pela reportagem se dirigindo a um acampamento de trabalhadores rurais sem-terra. Essa é a terceira campanha da qual ela participa, a primeira como candidata. “Não esperava ter essa acolhida. Tivemos uma aceitação muito grande e muito rápida. E não vejo diferença. O mesmo carinho que eles tinham com o Izzo, eles têm comigo e também com o Barbosa, que é bastante conhecido na periferia.”

Para ela, o maior rigor da Justiça Eleitoral acaba tornando o processo mais democrático. “Em questão de material, acredito que houve um nivelamento. Você não sente o poder econômico de ninguém”, diz.

Entre os principais pedidos da população, ela destaca o sentimento de abandono da periferia. “Prometemos o que atende a necessidades básicas, para que os cidadãos destes bairros sintam que moram em Bauru com dignidade. Também temos muita reclamação de saúde, creche, asfalto e transporte.”

Clodoaldo Gazzetta

No final da tarde, o candidato Clodoaldo Gazzeta (PV) acompanhava uma partida de futebol no BTC de campo. “Já estamos fazendo o corpo-a-corpo com os eleitores e acredito que até domingo estaremos na rua com campanha bastante forte”, anuncia. Sobre a disputa deste ano, Gazzetta ponderou o alinhamento de chances dos candidatos. “Sinto que estão um pouco mais nivelados em potencialidade para vencer. Todos eles têm potencial e, se souber explorar, podem chegar sem necessariamente ser o que tem mais recurso ou estrutura”, observa.

Para ele, a falta de estrutura logística de eleições passadas foi superada. “Nesta disputa de 2008, o Partido Verde talvez tenha a maior logística de campanha que teve em sua história em Bauru. Estamos hiperpreparados para colocar a campanha na rua e será, talvez, uma das melhores campanhas em termos de divulgar as propostas”, avalia.

Gazzetta avalia que o endurecimento da Justiça Eleitoral nas eleições de 2008 é bastante positivo. “Evita que pessoas de má-fé procurem uma eleição. A eleição sempre foi um processo de dificuldades para pessoas corretas demonstrarem que é possível mudar”, observa. Entre as prioridades destacadas pelos eleitores, também relaciona saúde e asfalto. “Por ter ficado um bom período aí com a prefeitura em processo de esquecimento administrativo, tudo parece prioridade. Mas os assuntos que mais a gente sente são a questão da saúde e também o asfalto.”