10 de julho de 2026
Geral

Na noite, maioria desrespeita a lei

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

À meia noite e meia, a fila de pessoas em frente a uma casa noturna na rua Antônio Alves é extensa. Os jovens se aglomeram em frente ao estabelecimento, ansiosos para entrar, mesmo sabendo que terão de despender R$ 25,00 para isso. Meia hora depois, a reportagem também entra e grande parte da moçada já está na companhia de um copo de bebida alcoólica.

Numa área a céu aberto, um rapaz passa cambaleando. Trôpego, ele se choca contra paredes, mesas e cadeiras. “Esse aí não tem condição de dirigir. Mas eu tenho”, troça o empresário Ciro César, 23 anos, que preferiu não ter o sobrenome divulgado.

Ele conta que todos os seus amigos continuam bebendo nas festas e assumindo o volante dos carros no momento de retornar para casa. Com uma latinha de cerveja na mão, ele desaprova a rigidez da Lei Seca e defende que as novas regras, por si sós, não serão capazes de modificar o comportamento dos jovens.

“Hoje em dia, numa turma em que todo mundo está acostumado a beber, quem vai se propor a ir numa festa e não tomar nada? Sem chance”, afirma, categórico.Logo ao lado, três amigas tentam se fazer ouvir em meio ao barulho ensurdecedor do sistema de som da boate. Convidadas a participar da discussão sobre a proibição do consumo de álcool para quem dirige, elas também concordam, em uníssono: “É uma lei absurda e muito rigorosa para o Brasil”.

Para uma delas, a administradora de empresas Mariana, 25 anos, a polícia deveria voltar seu efetivo à captura dos criminosos que estão soltos nas ruas. “Minha família já foi vítima de seqüestro e o responsável não foi pego até hoje. Agora, se eu beber um copo de cerveja, posso parar na cadeia. É algo completamente descabido”, critica ela, pouco antes da chegada de um amigo, que se identifica como Vinicius Greco.

Ao contrário das meninas, o rapaz de 23 anos defende as regras estabelecidas pela nova legislação e garante que, desde que ela entrou em vigor, nunca mais dirigiu sob efeito do álcool. Indisposto a deixar de beber, mas bastante receoso em relação à possibilidade de ser preso em um eventual teste de bafômetro, ele agora recorre aos serviços de um taxista para fazer o trajeto da balada até sua casa.

“O que são R$ 20,00, R$ 30,00? O dinheiro que eu gasto não custa minha liberdade. O problema é que brasileiro é mão de vaca e não quer gastar”, avalia Greco, que é supervisor comercial e diz precisar de sua CNH para “rodar o Interior do Estado e gerenciar as mais de 16 lojas” que controla.