08 de julho de 2026
Internacional

Irã ameaça destruir Israel se sofrer ataque dos EUA

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Teerã - O Irã ameaça destruir Israel e atacar as 32 bases americanas no Oriente Médio, caso sofra qualquer “menor movimento” por causa de seu polêmico programa nuclear, afirmou um alto funcionário da República Islâmica.

“Os Estados Unidos sabem muito bem que com o menor movimento contra o Irã, Israel e as 32 bases militares americanas na região não estariam fora de nosso alcance e seriam destruídas”, disse Mojtaba Zolnoor, assessor do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo da Guarda Revolucionária.

Nesta semana, as tensões entre Irã e Israel e EUA aumentaram com uma série de exercícios militares da Guarda Revolucionária no Golfo Pérsico. Nos exercícios, foram testados diversos mísseis, incluindo o Shihab-3, que pesa uma tonelada, possui tecnologia avançada e tem 2 mil quilômetros de alcance.

Os Estados Unidos afirmaram que o Irã deveria suspender o desenvolvimento de mísseis balísticos e a realização de testes se pretende ganhar a confiança do mundo.

Estados Unidos e Israel nunca descartaram um eventual ataque ao Irã em caso de fracasso da via diplomática no sentido de convencer o país a desativar seu programa nuclear, que os americanos dizem servir para construir armas nucleares.

Em resposta, o ministro de Relações Exteriores do Irã, citado ontem pela agência de notícias IRNA, disse que tanto os EUA quanto Israel não estão em posição para atacar o país.

“(Eles) não têm capacidade de envolver-se em uma nova crise”, disse Manouchehr Mottaki, que chamou os testes de mísseis iranianos de “uma mostra das capacidades do Irã”.

Loucura

O governo do Irã disse também que seria “loucura” atacar o país e questionou a capacidade de Israel de entrar em um conflito direto com as forças iranianas.

“Nós não imaginamos que alguém possa cometer tal loucura e estupidez e ninguém tem o poder de fazer tal agressão”, disse o porta-voz do governo, Gholamhossein Elham, citado pela rede de televisão IRIB.

“A força preventiva da República Islâmica impede as forças estrangeiras de qualquer tipo de invasão”, afirmou Elham.

Ele amenizou o clima de tensão entre os países, dizendo que a República Islâmica não é uma ameaça e, por isso, não aceitará ameaças de outros países. O Irã alega que seu programa nuclear é dedicado exclusivamente à geração de energia.

Israel, que detém arsenal atômico, disse que prevenirá que o Irã emerja na região como uma potência nuclear. O porta-voz iraniano se referiu ao conflito nuclear e disse que a posição do Irã a respeito de sua disposição para um diálogo justo não mudou.

“Continuamos dispostos a dialogar em condições justas”, disse o porta-voz iraniano, que advertiu que, se as potências ocidentais pretenderem sair do caminho do diálogo, “quem sairá prejudicado não será a República Islâmica do Irã”.

Testes

Nesta semana, por dois dias consecutivos, o Irã afirmou ter realizado testes com mísseis de médio e longo alcance, entre eles um com capacidade de atingir 2 mil quilômetros. A distância coloca Israel, Turquia, Afeganistão e Paquistão no alcance dos disparos.

Os testes acontecem em um momento de elevada tensão entre Irã e Israel -aliado dos EUA - sobre o programa nuclear iraniano, que o Ocidente suspeita ter como objetivo a construção de bombas. O Irã diz que seu programa nuclear é para geração de energia.

Os testes iranianos provocaram uma ampla reação de vários países. A secretária de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, afirmou que eles demonstravam que a ameaça do regime de Teerã “não é imaginária”. Para ela, os testes são nova evidência de que o mundo precisa de um sistema de defesa com escudo antimísseis.