09 de julho de 2026
Geral

Bauru já tem motocicleta elétrica

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

Econômicas, ecológicas, silenciosas e muito estilosas, as scooters elétricas de tecnologia chinesa já podem ser encontradas em Bauru. Em uma época na qual aquecimento global assusta tanto quanto o preço de combustível, um veículo movido a energia limpa e que não dói no bolso tem tudo para agradar o consumidor.

O preço pode ser considerado salgado - os modelos variam entre R$ 4,5 e R$ 6 mil-, mas o custo-benefício pode compensar. Só não dá para enfrentar rodovias. Além de uma autonomia limitada – uma carga completa de bateria percorre 40 quilômetros -, a velocidade máxima atingida pelas motonetas elétricas é de 50 quilômetos por hora.

Desde o ano passado, a empresa chinesa Moto-Z traz as peças fabricadas na Ásia e monta os veículos em uma indústria instalada em São Bernardo do Campo. Em Bauru, as scooters elétricas são comercializadas em uma concessionária instalada na quadra 11 da avenida Duque de Caxias. Os modelos variam, mas todos chamam a atenção.

Elas podem ser abastecidas em qualquer tomada e as baterias levam oito horas para carregar se estiverem completamente vazias. O problema é para quem mora em apartamentos e não tem tomada em sua garagem. Alguns modelos vêm com bateria removível, mas o peso não ajuda: cerca de 25 quilos. Outro detalhe que chama a atenção é o motor, instalado no eixo da roda traseira. Alguns modelos são mais potentes, com a diferença de contar com motores nas duas rodas.

Márcio Junji Kasuma, empresário que trouxe a moto elétrica para Bauru, destaca a economia como um dos principais atrativos. Para carregar a bateria, gasta-se R$ 0,50 de energia e dá para andar 40 quilômetros. “Com o mesmo preço de um litro de gasolina, cerca de R$ 2,50, a moto elétrica percorre 250 quilômetros”, calcula. Ele avalia que o valor da manutenção também é bastante inferior. “Não se usa óleo na moto. Você só vai no posto para calibrar os pneus”, informa.

A velocidade máxima atingida pela scooter é baixa em comparação com outras motocicletas. Mas é esse detalhe que tem atingido o interesse de um consumidor muito preocupado: os pais. “Muitos deles ligam e pedem informações sobre a moto para seus filhos. Eu digo que a velocidade que ela atinge não é muito alta e é aí que eles gostam e dizem: ‘mas é essa mesmo que eu quero’”, conta o empresário.

Outro diferencial da moto é o barulho. Ou melhor, a falta dele. Você só percebe que a motoneta está ligada pela luz do painel. Por isso, é melhor ter cuidado e não ficar acelerando o veículo sem ter certeza que ele está desligado.

Kasuma explica que descobriu as scooters elétricas pela Internet. “Aí resolvi pesquisar e decidi trazer para cidade. No Nordeste, cidades turísticas já estão com muitas dessas motos”, explica. Ele também oferece assistência técnica para os veículos e informa que as motonetas têm garantia de seis meses. A concessionária também vende scooters com motores a combustão.

Opinião

Como o negócio é recente, Kasuma explica que ainda está fechando parceria para o financiamento das motocicletas. Apesar de ainda não ter vendido nenhuma unidade, muita gente já testou o veículo. “É bem confortável e muito boa para quem trabalha em bairros menos movimentados de Bauru. Sem falar que é muito silenciosa”, avalia Rodrigo Ferreira.

“Quando eu vi pela primeira vez, não acreditei que estivesse ligada. Nem que fosse elétrica. Além disso, ela é linda. Agora tem que ver como é a manutenção, se as peças são baratas”, pondera Priscila Gonçalves, 25 anos, ainda não teve coragem de testar a moto.

Proprietária de uma scooter com motor a gasolina, Fernanda Silva, 27 anos, também aprovou a novidade. “É muito legal e silenciosa”, avalia, comparando com a sua motocicleta, que consome R$ 8,00 por semana para andar 10 quilômetros por dia. Geni, mãe de Fernanda, também gostou. “Isso sem falar que não polui”, destacou.

____________________

Velocidade

Apesar da velocidade máxima atingida pela scooter elétrica não ser alta – 50 quilômetros por hora, ela pode trafegar normalmente por qualquer avenida e ruas de Bauru. Mas nas rodovias é preciso observar a velocidade máxima permitida nos trechos percorridos.

De acordo com o Policiamento Rodoviário, os veículos não podem trafegar a uma velocidade inferior a metade do máximo permitido. Ou seja, se esse limite for 110 quilômetros por hora, nenhum veículo – com a exceção de caminhões carregados – podem andar mais devagar que 55 quilômetros por hora. Ou seja, nada de motoneta elétrica. Como veículo automotor, a moto elétrica só pode ser conduzida por motorista habilitado na categoria A.

____________________

Test-drive

Muito desajeitadamente, esta repórter subiu na scooter, durante um test-drive. O modelo escolhido foi uma moto que lembra as lambretas da década de 50. Ainda sem acreditar que o veículo estava ligado, acelerei um pouquinho e vi que ela começou a andar.

Daí foi fácil. Sem marchas, era só brecar e acelerar. Não me arrisquei a dirigir por uma avenida ou subir um morro, porque após anos sem pilotar uma motocicleta, achei que poderia colocar eu, terceiros e o veículo em risco. O barulho é praticamente zero e a pilotagem é bem divertida. No fim, até que me saí bem. E a scooter, também.