Nos dias atuais, não é mais novidade que a mulher está conquistando espaço no mercado de trabalho. No entanto, um piloto do sexo feminino ainda é algo raro no meio automobilístico. Ana Beatriz Caselato Gomes de Figueiredo, 23 anos, piloto brasileira da Indy Lights, que, no último final de semana, quebrou um tabu e tornou-se a primeira mulher a vencer uma prova na categoria, tem familiares bauruenses.
Bia Figueiredo, como é conhecida no mundo automobilístico, vem anualmente à cidade visitar tios e primos. A mãe, Márcia Regina Ribeiro Caselato Gomes de Figueiredo, é nascida em Bauru, filha de Ana Ribeiro Caselato e de José Caselato. O avô José foi, durante muito tempo, proprietário de uma bicicletaria na rua Araújo Leite e, posteriormente, um dos sócios-fundadores do restaurante Chapadão, na rodovia Marechal Rondon, próximo à Bauru.
Morando atualmente em Indianápolis, nos Estados Unidos, Bia afirmou, em seu site oficial, que, até a última sexta-feira, o dia mais feliz de sua vida havia ocorrido em 2005, quando acabou em primeiro lugar, pela primeira vez, em uma corrida de monoposto, e se tornou a primeira mulher a vencer na categoria-escola Fórmula Renault, em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, com a equipe Cesário Fórmula.
Mas o último sábado, no entanto, assumiu o posto de “dia mais feliz da vida” de Bia, quando a piloto brasileira conquistou a primeira vitória na Indy Lights em seu ano de estréia na categoria. O feito ocorreu no circuito oval Nashville Superspeedway, nos Estados Unidos, e Bia tornou-se a primeira mulher a ganhar uma corrida na categoria de acesso à IndyCar. Cinco mulheres já passaram pela categoria, embora o melhor resultado delas, até a mesma data, havia sido uma pole. Segundo a mãe Márcia, na época do kart, Bia dividiu as pistas com Nelsinho Piquet. Depois correu a Fórmula 3 e, em seguida, integrou a equipe de Emerson Fittipaldi na A1 GP convidada pelo próprio. Na adolescência, Bia obteve outros feitos. Foi a primeira mulher a ser vice-campeã paulista e brasileira de kart. “Ela (Bia) começou muito cedo. Com cinco anos assistiu à uma corrida de kart e se interessou muito. Aos sete, começou a correr de kart na mesma época que o Nelsinho Piquet (hoje piloto da Renault na Fórmula 1)”, lembrou a mãe.
Agora, empresariada pelo ex-piloto de Fórmula Indy André Ribeiro, Bia trabalha com o objetivo de, nos próximos anos correr, pela categoria principal da IndyCar.
Emoção
Além do champanhe, o piloto que vence no oval de Nashville recebe, tradicionalmente, uma guitarra como troféu. “Quando vi a bandeira quadriculada, só conseguia gritar de felicidade. Foi fantástico vencer em meu ano de estréia na Indy Lights. O troféu é a coisa mais linda, uma guitarra, e ganhá-la se tornou minha meta desde que soube disso”, contou Bia em seu site oficial.
Agora, a piloto ocupa o terceiro lugar no campeonato, a 39 pontos do líder. As próximas etapas já serão disputadas no próximo fim de semana, em Mid-Ohio. “É mais uma rodada dupla em circuito misto e espero aproveitar para brigar por mais vitórias.” O campeonato da Indy Lights encerra-se em setembro. Após cumprir os compromissos nos Estados Unidos, Bia deve rever os familiares em Bauru.