A Polícia Federal (PF) prendeu ontem, em Bauru, dez pessoas, entre elas uma mulher, por associação para o tráfico de drogas. Elas seriam ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC), mas como contribuintes. As prisões temporárias foram o desfecho da Operação Terra Branca, que envolveu, além da PF, as polícias Civil e Militar e foi realizada em diversas cidades paulistas e em Corumbá, Três Lagoas e Campo Grande. No Mato Grosso do Sul, outros três mandados foram cumpridos ontem.
Em três meses de operação, a PF apreendeu mais de 30 quilos de cocaína, dois quilos de crack, três quilos de maconha, além de R$ 44 mil que pertenceriam à facção criminosa PCC. O dinheiro seria transportado para a região de Campinas. Anteriormente, outras 28 pessoas já haviam sido presas, no decorrer dos três meses de operação.
Elas também foram localizadas em cidades da região como Pederneiras, Piratininga, Itapuí, Araçatuba e Iacanga. Ontem, porém, nenhum tipo de droga foi localizado nos endereços onde os mandados de busca e apreensão foram cumpridos. O grupo é acusado de comprar cocaína pura para batizá-la e vendê-la. Alguns nem chegavam a vê-la, apenas organizavam a distribuição.
Os policiais estiveram em bairros como Vila Nova Paulista, Núcleo Habitacional Mary Dota e Jardim Europa, em Bauru. Para tanto, contaram com o auxílio das unidades da PF de Araçatuba, Araraquara, Marília, Presidente Prudente e São José do Rio Preto.
Além dos 10 presos em Bauru, foram efetuadas mais três prisões no Mato Grosso do Sul, em Três Lagoas, Corumbá e Batayporã. Segundo o delegado Antonio Vaz de Oliveira, da PF deBauru, a Justiça em Bauru emitiu mandado de prisão temporária por 30 dias para os envolvidos. Apenas um mandado não chegou a ser cumprido porque houve evasão de procurado. Na casa dele, em Corumbá, a PF encontrou 200 gramas de cocaína e, por isso, prendeu em flagrante delito a mulher dele, por tráfico de drogas.
Investigação
O delegado explicou que os dez presos já vinham sendo investigados durante a operação, que se encerrou ontem. De acordo com Vaz, a droga era distribuída a partir de Três Lagoas (MS) para vários municípios de São Paulo.
No entanto, Vaz afirmou que não é possível saber a origem do entorpecente, apesar do ponto de partida para distribuição ser em Três Lagoas. “É muito difícil detectar onde ela é fabricada, depois que é distribuída aqui dentro (do Brasil)”, salientou. O delegado ainda ressaltou que, se não houvesse a cooperação das polícias Civil e Militar, não seria possível apreender a droga e fazer todas as prisões. “A investigação foi conduzida por aqui, mas sem a participação da PM e da Polícia Civil, não haveria esse desfecho da operação”, frisou.
____________________
Presos
As pessoas presas ontem em Bauru na operação Terra Branca, segundo a Polícia Federal (PF), são Alvaro Raul Teixeira da Silva Taicico, conhecido por Catatau ou Gordão; Márcio Luiz Cláudio, cujo apelido é Márcio Come-ranho; Marco Aurélio Fernandes Barga, conhecido por Magrelo ou MG; Henrique Francisco do Santos, cujo apelido é Tripa; Fagner Leandro Spanhol Ferreira, conhecido por Magrão; Thiago André Lopes da Silva, Ariel dos Santos Rocha, Roberto de Jesus Vaz, cujo apelido é Beto ou Betinho e André Luiz da Cunha, conhecido por Dé, além de Maria Cristina Soares.
Eles estão envolvidas entre si e com o tráfico de drogas, por isso foram indiciados no artigo 35 da lei 11.343/06 (associação para o tráfico), que prevê pena de três a dez anos de reclusão, acrescenta o delegado Antonio Vaz de Oliviera. Após interrogadas, foram encaminhado à Cadeia Pública de Duartina e a mulher, à Cadeia Feminina de Pirajuí.