10 de julho de 2026
Pesca & Lazer

Comunidade alagoana faz despesca com apoio do governo federal

Por Da Redação | Com informações da assessoria de imprensa do Ministério do Meio
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O funcionamento da Unidade Demonstrativa do Programa Água Doce tem beneficiado não somente a comunidade de Pedra D’Água dos Alexandres, no município de Santana do Ipanema (AL), como também hospitais e escolas, que pela segunda vez puderam adquirir as tilápias do tipo rosa ali produzidas a R$ 7,00 o quilo.

Em funcionamento desde 2007, o sistema implementado pelo Ministério do Meio Ambiente em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), e com apoio da Fundação Banco do Brasil e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), garante às famílias acesso à água potável por meio do aparelho de dessalinização e também possibilita a obtenção de renda por meio da produção de peixes e feno, vendidos à comunidade e empresários locais.

A ‘despesca’ acontece de quatro em quatro meses. O valor obtido com a venda dos peixes garante a sustentabilidade do sistema. 50% é utilizado para a compra de ração e de novos alevinos, 20% destinam-se à manutenção da Unidade Demonstrativa e 30% são divididos entre os moradores que trabalham no sistema de produção.

O Água Doce atua desde 2003 na elaboração de uma política pública permanente de acesso à água potável para as populações de baixa renda do semi-árido brasileiro a partir de técnicas sustentáveis de dessalinização da água subterrânea e capacitando a população e os órgãos de meio ambiente para atuarem na gestão integrada e participativa dos mesmos.

A utilização de dessalinizadores para o processo de obtenção de água de qualidade para o consumo humano é uma das poucas alternativas da população do semi-árido, isto porque a maioria dos poços existentes são de água salobra. No entanto, associar esta técnica ao uso sustentável dos recursos naturais é uma novidade que o Programa Água Doce pretende disseminar.

Para o coordenador nacional do programa, a implantação do sistema de dessalinização exige alguns cuidados. “A primeira etapa do processo é avaliar a composição química da água subterrânea, cujo resultado indicará o tipo adequado de membrana do equipamento que será utilizado”, explica Renato Saraiva Ferreira.

“Além disso, o concentrado resultante da dessalinização é um líquido com alto teor salino que, quando despejado no solo, contribui para a erosão e a contaminação de novos lençóis de água. Desta forma, o Programa Água Doce determina que a água salgada seja depositada em tanques de evaporação, evitando a ocorrência de impactos ambientais”, completa Ferreira.

Hoje existem 2 mil dessalinizadores na região do semi-árido, dos quais estima-se que apenas 50% estejam em funcionamento. O Programa Água Doce já recuperou 48 sistemas, aplicando a metodologia desenvolvida. Há ainda a possibilidade de aliar aos sistemas de dessalinização modelos de sistemas produtivos que podem ser aplicados mediante estudo da água e do solo na fase final do processo.

Para a escolha das localidades a serem atendidas são considerados os menores Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), os menores índices pluviométricos, ausência ou escassez de fontes de abastecimento de água potável e o maior índice de mortalidade infantil. Há, ainda, critérios técnicos específicos para avaliar a implantação de sistemas produtivos sustentáveis em cada localidade, com base no método Novo Rural e no Índice de Sustentabilidade Ambiental (ISA-Água).