Os cavalos são, sem sombra de dúvida, as grandes estrelas do 31.º Campeonato Nacional da Raça Quarto de Milha, que está sendo realizado no Recinto Mello Moraes, em Bauru. E como astros maiores do evento, merecem um tratamento à altura da categoria que demonstram em suas apresentações. Não é à toa que a organização do campeonato preparou uma estrutura de ponta para atender às necessidades dos animais.
Prova disso é o tratamento veterinário oferecido aos cavalos que participam da competição. O centro médico veterinário instalado no local é um dos mais bem equipados do País. Os responsáveis pelo atendimento aos animais são os médicos veterinários Reinaldo de Campos e Maurício Magone, da clínica Equine Center, de São Paulo. Campos, coordenador da equipe, é formado pela Universidade de São Paulo (USP), trabalha há 19 anos no Jockey Club da Capital e há cinco anos para a Associação Brasileira de Criadores de Cavalos de Quarto de Milha (ABQM). Além dele e de Magone, o centro conta com oito estagiárias.
De acordo com Campos, todo ano é disponibilizada uma área para que seja montado o centro de atendimento veterinário. “Normalmente eu trago uma unidade móvel, que possui aparelhagem para realizar todos os tipos de procedimento, como raios X, endoscopia, análise de hemograma, videoendoscopia e até para realizar cirurgias, com exceção de cirurgias abdominais e articulares, que quando têm a indicação, a gente encaminha o animal para um hospital”, diz.
Segundo Campos, quando um animal está na pista e sangra, por exemplo, imediatamente o juiz o encaminha para o posto de atendimento. “Nenhum animal pode participar das provas se estiver machucado ou com a saúde debilitada”, explica.
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Cuidados
Em média são atendidos 18 eqüinos por dia no centro médico veterinário, sendo que, normalmente, são tratadas as principais patologias que acometem os cavalos. Segundo Campos, estão entre essas patologias a desidratação, manqueiras, problemas respiratórios, cólica. “Por exemplo, agora nós estamos atendendo um animal que foi acometido de uma síndrome cólica. Pela manhã, o proprietário relatou que ele apresentava dores abdominais, cavava, rolava no chão. Ele foi trazido até nós e apresentava uma atonia intestinal, ou seja, o intestino pára de funcionar. Neste caso, colocamos uma sonda para fazer a lavagem estomacal e agora ele está sendo submetido a uma fluidoterapia para repor o volume perdido”, explica.
O veterinário salienta, ainda, que o centro instalado no Mello Moraes está preparado para receber qualquer tipo de patologia. Segundo o médico, basicamente, 90% das patologias podem ser tratadas no centro.
“A parte veterinária é dividida em três segmentos. Tem uma equipe responsável pela GTA (guia de transporte animal) para autorizar os animais a entrar no pátio. Então, eles realizam o exame de AIE, que significa anemia infecciosa eqüina, um vírus semelhante ao vírus da aids. O animal só pode adentrar ao pátio se tiver esse exame (com resultado) negativo. A segunda equipe é a nossa, responsável pelo bem-estar do animal. A outra equipe é responsável pelo exame anti-dopping”, destaca.
Para os proprietários dos animais participantes do evento, ter um centro médico veterinário de primeiro mundo no recinto é fundamental. O criador Lucas Bazzo, de Laranjal Paulista, foi um dos que aprovaram o tratamento recebido por seu cavalo, Citation. Era ele quem estava no centro médico e foi citado pelo veterinário Reinaldo de Campos durante a entrevista. “O tratamento foi muito bom, bastante satisfatório”, afirma Bazzo.