11 de julho de 2026
Política

Estudo aponta ETE por R$ 87 milhões

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

O Departamento de Água e Esgoto (DAE) vai lançar no próximo mês o edital de licitação por menor preço para buscar a contratação de instalação e operação da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) principal, no Distrito Industrial I, com valor global avaliado em R$ 87 milhões por uma empresa especializada. O custo não inclui cerca de 35 quilômetros de rede de interceptores que ainda precisa ser instalada para levar os resíduos até o local de tratamento, além dos outros 42 quilômetros já existentes. O DAE quer realizar o serviço que falta por conta própria.

O orçamento posiciona a construção da ETE Vargem Limpa como a maior obra a ser contratada pela administração municipal nos últimos 20 anos, acima inclusive das quatro alças do contrato assinado por Tidei de Lima com a Camargo Corrêa, em 1993, cuja etapa parou na primeira alça inacabada.

Em 2001, a instalação da ETE foi avaliada em cerca de R$ 50 milhões a partir de estudo de concepção elaborado pela empresa Serec. Em termos de custo final a ser empregado para o sistema completo, com ETE e a rede que falta de interceptores, o investimento necessário será de R$ 100 milhões, valor que será financiado pelo Fundo de Tratamento de Esgoto (FTE). A projeção de mercado para cada quilômetro de rede instalada é de R$ 350 mil. A receita média anual do fundo, com destinação carimbada para o programa de tratamento de esgoto, atinge R$ 12 milhões atualmente.

Para o projeto básico entregue ao DAE neste mês pela empresa High Tech Consultants, de São Paulo, foram consideradas as diretrizes do processo de tratamento definido em 2001, com as adequações em concepção, detalhamento de equipamentos e atualização da legislação. A escolha pelo processo de tratamento de esgoto em Bauru foi a executada nos moldes de cidades como Campinas e São Carlos. Nesta última, a única diferença é que por lá é utilizado procedimento químico em uma das etapas (flotação), mecanismo que não ocorrerá por aqui.

Conforme o projeto básico, que custou R$ 140 mil, somente com estrutura em concreto serão consumidos R$ 26 milhões na ETE, além de R$ 40 milhões em materiais, equipamentos hidráulicos e mecânicos. A maior parte da obra é de engenharia civil, inclusive nos três módulos que atuarão por reatores anaeróbicos (UASB), avaliados no estudo por R$ 27,5 milhões no total.

O detalhamento dos custos também aponta, dentro dos R$ 40 milhões de equipamentos e instalações, R$ 13,8 milhões somente para filtros aerados. A diretora de planejamento do DAE, Nucimar Paes, informou que o projeto básico também apresentou custo de R$ 4,3 milhões para o projeto executivo, que terá de ser contratado junto com a obra de instalação da ETE. “O parâmetro utilizado nos levantamentos do DAE para o projeto executivo não contempla este valor, consideramos o item superestimado, mas é o que foi levantado no projeto básico”, opina.

O presidente da autarquia, José Mauro da Cunha Carneiro, acrescenta que a avaliação da obra contempla R$ 5,4 milhões de despesas pela operacionalização do sistema durante os três primeiros anos de funcionamento da ETE. “O projeto a ser contratado prevê que a empresa vencedora instale a estação e opere nos três primeiros anos, transferindo tecnologia e treinamento para pessoal a ser formado pelo DAE no período. A autarquia assume o funcionamento após esta etapa”, conta.

O projeto básico detalha aspectos de arquitetura, plantas, memorial descritivo, especificações técnicas, equipamentos, normas e volume de matéria-prima a ser empregada, equipamentos e serviços.

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Concepção do tratamento

A diretora de planejamento do DAE, engenheira Nucimar Paes, explica que o projeto básico definiu as modificações e atualizações necessárias em cima do processo de tratamento definido na origem em duas etapas. Foram acrescidos subsistemas à concepção original que previa o uso de reator anaeróbio (sem oxigênio e sem luz) com filtro biológico aerado.

Em síntese, o projeto básico incluiu exigências de norma do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) de 2005, como uma fase chamada de anóxica (redução de nitrato) inserida na fase secundária, onde se usa filtro biológico aerado. Além disso, foi necessário estabelecer etapa adicional de tratamento, ao final do processo, para desinfecção, adicionando cloro ao esgoto já tratado em um tanque. Este procedimento não integrava as normas do Conama até 2005.

O projeto se resume em três etapas. A primeira fase é o do gradeamento grosseiro e fino dos dejetos, que retira areia e o resíduo mais denso, que é recolhido para o aterro sanitário.

Na fase anaeróbia, um reator atua com uma manta de lodo onde fica o esgoto mais denso e com fluxo ascendente. O processo vai clarificando as bactérias, permanecendo a água e desprendendo o gás. Nesta etapa foi incluída a redução de nitrato (anóxica).

No filtro biológico aerado entra a fase das bactérias aeróbicas, que trabalham com oxigênio. Há a injeção de oxigênio no sistema através de compressores de ar, o que cria bolhas na água e essas bactérias vão realizando outra etapa do tratamento. Um segundo decantador separa o que sobrou de lodo do restante do material líquido, decompondo as partículas sólidas que ficaram.

A fase terceária é de desinfecção, com adição de cloro em um tanque. Depois disso, a água retorna tratada aos rios.