Xampus, condicionadores, hidratantes, esmaltes, colorações para cabelo. Itens de primeira necessidade do universo feminino - e porque não, do masculino também -, os cosméticos fazem parte do considerado supérfluo nas contas do orçamento familiar. Porém, os gastos com estes produtos têm aumentado e especialistas alertam para que este valor não ultrapasse 5% da renda mensal. Caso contrário, ou a pessoa substitui por itens de maior necessidade, ou acaba endividada.
O setor é um dos que mais crescem no País. Dados do Instituto de Pesquisas Euromonitor mostram que o Brasil já é o terceiro maior mercado consumidor de cosméticos do mundo, desbancando França, Alemanha e Inglaterra e ficando atrás apenas do Japão e do líder Estados Unidos. E as bauruenses são vaidosas, investindo muito na aquisição destes “supérfluos essenciais”.
Olhe rapidamente o interior de uma bolsa feminina. Batom, hidratante, escova de cabelo e perfume são itens obrigatórios. Manter um suprimento básico de cosméticos requer passagens semanais pelas empresas do ramo e uma boa parcela do orçamento.
Novidades
Adeleusa Gonçalves Morandi, auxiliar de uma loja de cosméticos no Calçadão da Batista de Carvalho, garante que a mulher bauruense é vaidosa. Sempre atenta às novidades, elas vão à loja em busca de lançamentos e também de promoções. “Passou um esmalte novo na novela, todo mundo quer”, conta. Mas os campeões de venda continuam sendo xampus e condicionadores. Em seguida vêm as colorações para cabelo. “E os hidratantes não param nas prateleiras durante o inverno”, observa Morandi.
O investimento em pesquisas por parte da indústria aumenta a gama de produtos oferecidos constantemente. Para o consumidor, isso reflete no tempo gasto nas lojas à procura do melhor xampu para cabelos com raízes oleosas e pontas secas, ou do hidratante mais adequado para peles sensíveis.
A quantidade de oferta, além das melhores condições da economia do País com a queda do desemprego, o aumento de postos de trabalho com registro em carteira e os programas de transferência de renda expandiram o poder aquisitivo do brasileiro, que está consumindo cada vez mais estes artigos.
O valor gasto varia de acordo com a classe social, a profissão e as necessidades de cada pessoa. De acordo com o economista Reinaldo Cafeo, os cosméticos fazem parte da vaidade humana e da preservação da imagem, que fazem parte da sociedade moderna.
Mas é preciso ter limite. “Normalmente, gastos com lazer e vaidade não podem ultrapassar 5% do orçamento. Se superar, é melhor ter uma renda maior para que isso seja sustentado. Ou então, substituir pela compra de produtos de maior necessidade para não cair em dívidas”, pondera.
____________________
Gastos
A vendedora Celina Maria de Queiroz Martins, 50 anos, calcula um gasto mensal de R$ 70,00 com cosméticos. “Aí entra tudo. Xampu, condicionador, hidratante, tintura a cada 15 dias”, enumera. Já a auxiliar administrativa Érika de Almeida Galdino, 17 anos, que não compra tintura, calcula gasto superior a R$ 60,00. “Compro muitos cremes para a pele, cabelo. Acho que vai bem mais de R$ 60,00. É boa parte do meu salário”, confessa.
Conhecedora do assunto, a cabeleireira Zely do Carmo Padilha, 37 anos, gasta o dobro. “Me cuido muito. Somando a tinta uma vez por mês, o esmalte, desodorante, xampu, condicionador, hidratante e água de colônia, vão uns R$ 120,00 no mês”, calcula.
Para o economista Reinaldo Cafeo, um gasto mensal de R$ 60,00 com cosméticos renderia em um ano o suficiente para uma viagem a Porto Seguro durante a baixa temporada, por exemplo. “Também dá para fazer uma pequena reforma em casa, como trocar o piso. Comprar um eletroeletrônico, custear um curso. Depende da magnitude que isso terá na renda”, pondera.
No entanto, observa que não há nada de errado em investir em cosméticos. “O que não pode é se render à sedução, e esse mercado tem muito disso. Se tiver equilíbrio, dá para consumir de tudo sem comprometer a renda. O problema é o exagero”, orienta o especialista em finanças.