09 de julho de 2026
Geral

Lei Seca poderá reduzir seguro de carro

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 4 min

A Lei Seca não é uma unanimidade entre os brasileiros. Alguns a consideram muito rígida e argumentam que uma latinha de cerveja não atrapalha o desempenho ao volante. Outros, como donos de bares, restaurantes e fabricantes de bebidas, reclamam de prejuízo. Mas ela tem se mostrado eficiente na redução do número de acidentes. Esse primeiro mês da lei tem sido tão positivo que empresas de seguros já começam a sentir os reflexos, com uma sensível diminuição no número de sinistros registrados. Com isso, outra boa notícia pode atingir em cheio o bolso dos motoristas: o valor das apólices poderá cair.

O presidente do Sindicato dos Corretores de Seguros do Estado de São Paulo (Sincor-SP), Leôncio de Arruda, estima que haverá uma redução nos preços das apólices de até 20% nos próximos meses. Para a diretora executiva do Sincor em Bauru, Leilane Strongren, essa redução pode realmente ocorrer, caso o número de acidentes permaneça em queda.

“Diminuindo o número de sinistros, há uma tendência muito grande de que a gente baixe o preço do seguro”, disse, destacando que houve uma redução nos sinistros por volta de 60% na primeira semana de aplicação da lei. “Na segunda semana também, um pouco menos, mas já está normalizando”, salientou.

Um dado interessante apontado por Leilane é o fato de a redução de acidentes ser mais efetiva entre os motoristas mais jovens, com faixa etária de até 25 anos. “Com o jovem, que tem muito medo de perder a carteira de habilitação, principalmente quem acabou de tirar a carteira, nós não tivemos nenhum acidente nesse período”, destacou.

De acordo com a diretora do Sincor, esse dado é muito importante porque é o jovem que tem maior probabilidade de sofrer um acidente por conta de ter bebido antes de dirigir. “Ele bebe e não tem o reflexo muito condicionado e ainda tem aquela situação de que nada vai acontecer com ele”, destacou.

Diante dessa queda no número de acidentes entre os mais jovens, Leilane não descarta a possibilidade de haver uma redução nos valores do seguro, até porque é justamente nessa faixa etária que os preços são mais altos. De acordo com ela, o seguro para homens até 25 anos gira em torno de R$ 1.200,00. Para se ter uma idéia, o seguro para mulheres entre 30 e 40 anos custa entre R$ 600,00 e R$ 700,00, praticamente a metade. “Tendo essa redução de acidentes, essa faixa será beneficiada. No global, não vejo muita tendência de baixar”, frisou.

Não são apenas os motoristas que poderão ser beneficiados com uma possível redução no valor dos seguros. As seguradoras também podem se beneficiar dessa tendência. Para Djalmir Mencia Hatmine, proprietário de uma seguradora de Bauru, se a tendência de queda de acidentes se confirmar, vai possibilitar a entrada de motoristas das classes C e D como clientes das empresas e, conseqüentemente, aumentar o número de contratos.

Ele aponta que houve uma redução de 30% no número de sinistros atendidos pela seguradora. Para o corretor, essa diminuição nos acidentes é reflexo da Lei Seca e deverá se refletir nos preços dentro de quatro a cinco meses. Ou seja, quem for renovar o seguro do automóvel no começo do ano que vem poderá ter uma boa surpresa. “Nessa época as seguradoras vão fazer um balanço mais detalhado e, apresentando esse resultado favorável, automaticamente atribui um desconto no seguro”, disse.

Hatmine salientou que ainda é prematuro falar em redução nos preços, por isso a espera para confirmar a diminuição dos sinistros é importante. Em se mantendo a redução, as seguradoras poderão ganhar novos clientes também. “Está se abrindo aí um novo nicho de mercado para as classes C e D, que não tinham a cultura de fazer seguro. Tendo um custo mais baixo, com mais carros no mercado, abre-se essa possibilidade”, ressaltou.

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Conscientização

O Sindicato dos Corretores de Seguros do Estado de São Paulo (Sincor-SP) vai tentar implantar em Bauru um programa de conscientização que já existe em São Paulo. O programa consiste em promover abordagens em bares e restaurantes sobre os riscos de dirigir depois de ingerir bebidas alcoólicas.

De acordo com a diretora executiva do Sincor, Leilane Strongren, além dessa abordagem, a intenção é realizar panfletagens nas ruas de grande movimento, com material educativo. “Estamos conversando com a Polícia Militar para desenvolver esse projeto aqui em Bauru. Em São Paulo ele já existe bem antes da Lei Seca e é muito bem recebido”, frisou.