08 de julho de 2026
Geral

Vítima do trânsito custa R$ 80 mil

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

A Lei Seca completa hoje um mês com o compromisso de reduzir a incidência de acidentes. O impacto nas estatísticas de trânsito em Bauru, no entanto, ainda não foi sentido em todas as área. Mas se alcançar seu objetivo, além de evitar sofrimentos, também trará economia aos cofres públicos. Em custos reais, cada vítima do trânsito na cidade custa, em média, cerca de R$ 80 mil em tratamento médico.

O valor contempla inclusive internação na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), cujo tempo médio chega a 20 dias. Incluindo toda a assistência prestada, como por exemplo oxigênio, medicamentos, honorários profissionais (de médicos, fisioterapeutas, nutricionistas, enfermagem), o valor diário esbarra nos R$ 3 mil. Cai para próximo de R$ 1 mil na enfermaria, dependendo das necessidades do paciente que, em média, permanece hospitalizado mais 20 dias.

Os números são confirmados pelo diretor-técnico do Hospital de Base (HB), Samuel Fortunato. A instituição para o qual trabalha é referência em Bauru para casos de trauma. Em seus plantões, já acompanhou situações extremas, em que vítimas de trânsito permaneceram na UTI por até 60 dias. Ocorrências dessa natureza, porém, são bem mais raras.

Ainda assim, em quase 100% dos casos, os procedimentos exigidos para atender pacientes com traumas múltiplos, conseqüência comum em acidentes de trânsito, não são pagos integralmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), cuja tabela é bastante defasada em relação aos custos reais. “Quanto o SUS vai pagar? Não chega a R$ 15 mil, com tudo”, informa Fortunato.

De acordo com ele, o sistema prevê apenas uma tomografia por internação, sendo que em vários casos o exame é necessário também em outras ocasiões. Já na rede privada, a despesa da vítima de acidente de trânsito pode chegar à cifra de R$ 200 mil. Aliás, quanto mais especializada for a unidade de atendimento, maior o custo.

Capital

Em São Paulo, por exemplo, chegaria a atingir valor de R$ 270 mil, segundo informações da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet).

Foi justamente para a Capital que o empresário Otávio Zacarão Alves se dirigiu após acidentar-se em Bauru ao acessar uma marginal da rodovia Marechal Rondon, na saída da cidade pela rua das Festas, ao final da avenida Getúlio Vargas. “O carro rodou e bateu de frente no guard-rail, mas eu não tinha bebido nada. Tinha areia na pista”, conta. Ele permaneceu internado por uma semana na cidade e por mais 30 dias em São Paulo.

Na época, há cerca de oito anos, desembolsou R$ 25 mil. Atualmente, acredita que o valor subiria para R$ 70 mil. Apesar do esforço, perdeu a visão do olho esquerdo. Alves aprova a lei seca, assim como Fortunato. O médico, porém, teme que seus efeitos sejam momentâneos. Sua preocupação é que ela caia no esquecimento, após o período de acomodação.