Segunda causa de mortalidade externa no Brasil, os acidentes de trânsito são considerados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) um problema de saúde pública, informa a assessoria de imprensa da Abramet. “O pessoal chama de patologia do século 21”, diz o presidente da associação, José Montal.
Mas de acordo com a própria entidade, apesar da dimensão do problema, há poucos dados fidedignos sobre os acidentes de trânsito e suas conseqüências em termos médicos e econômicos. Para suprir essa deficiência de dados na literatura nacional, um grupo de pesquisadores do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP) realizou estudo entre fevereiro de 2006 e janeiro de 2007 para levantar informações sobre as conseqüências econômicas do problema.
Nesse período, foram internadas 455 vítimas de acidentes de trânsito no Hospital das Clínicas (HC). Desse total, 257 necessitaram de cuidados de terapia intensiva, o que corresponde à ocupação de 17,89% dos leitos de UTI do hospital. Já em Bauru, atualmente, eles correspondem a cerca de 10% dos 33 leitos ofertados pelo HB. Em São Paulo, no entanto, o tempo médio de internação em UTI de uma vítima de trânsito foi de 32,28 dias, acarretando um custo médio de R$ 7.006,22 por dia, acrescenta a assessoria de imprensa.
Já o paciente que faz qualquer outra cirurgia pelo SUS não permanece mais de uma semana na UTI. O estudo ainda constatou que quase um quinto da capacidade de leitos de UTI do HC é ocupado por vítimas de acidentes de trânsito. Resulta num gasto de R$ 226.160,78 por acidentado durante o período de internação, valor 34 vezes maior que o paciente cirúrgico do SUS. Já o custo médio da internação hospitalar de um acidentado de trânsito na enfermaria foi apontado em R$ 47.588.
O gasto também é muito superior, por exemplo, a de outros pacientes cirúrgicos do SUS, de R$ 1.400. Atualmente, no entanto, os números seriam maiores, pois os procedimentos médicos sofreram alta de 2006 para cá, admite o presidente da Abramet, José Montal. Segundo ele, antes da vigência da Lei Seca, estudos indicavam aumento anual de 16% no total de vítimas de acidentes de trânsito.
Deve implicar no percentual o aumento da frota, admite o médico. De acordo com Montal, há quem defenda que pessoas alcoolizadas estão mais suscetíveis aos traumas e sofrem lesões mais severas no acidente.
“Por várias razões, que vão desde vasodilatação, até os efeitos próprios do álcool. Gasta mais que paciente cirúrgico pela gravidade, pela multiplicidade das lesões. São vários procedimentos simultâneos”, conclui o presidente da Abramet.
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Dpvat
Qualquer vítima de acidente envolvendo veículo automotor de via terrestre tem direito ao seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores (Dpvat). Para requerê-lo, não é preciso nem contar com o auxílio de intermediários, uma vez que o trâmite é simples.
Há, porém, quem prefira despender o dinheiro com eles para economizar tempo. De qualquer forma, para solicitá-lo, o primeiro passo é registrar um boletim de ocorrência onde conste o acidente. Trata-se do documento base para os três tipos de indenização: em caso de morte, invalidez permanente e reembolso de despesas médicas decorrentes de acidente de trânsito.
Neste último caso, o valor máximo de R$ 2.700,00 é liberado quando a pessoa recebe assistência médica em hospital particular ou se tiver de pagar tratamento complementar, após ser atendido em hospital público. Outras informações podem ser obtidas pelo endereço www.dpvatseguro.com.br ou pelo telefone 0800221204.