11 de julho de 2026
Nacional

Brasil terá termelétrica no Rio Grande do Sul para suprir Uruguai

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Rio - Sem exigir contrapartida, o Brasil autorizou a construção de uma termelétrica a carvão em Candiota, no Rio Grande do Sul, exclusivamente para suprir o Uruguai, que tem escassez de oferta de energia. A unidade terá capacidade de geração de 350 MW. No município, há minas de carvão e outras térmicas que usam o insumo.

“Não haverá nada em troca. É uma questão de amizade entre países”, afirmou Lobão. O ministro negou que o Brasil terá danos ambientais com o empreendimento - cujo potencial poluidor é maior do que as alternativas de geração hidrelétrica, a gás e a óleo.

Ao defender a usina, Lobão afirmou que o transporte do carvão polui mais do que a sua utilização para a geração de energia. Por isso, optou-se pela decisão de instalar a unidade perto das minas de Candiota.

O ministro de Minas e Energia do Uruguai, Daniel Martinez, afirmou que atualmente a tecnologia permite a construção de térmicas a carvão com baixa emissão de CO2 por meio da instalação de filtros especiais. “O custo é 40% maior, mas é possível fazer uma termelétrica menos poluente.”

Lobão afirmou que toda a construção e operação da usina ficará a cargo do Uruguai, que financiará o projeto. Ao Brasil, caberá apenas ceder o terreno e vender o carvão a ser queimado na térmica, segundo o ministro.

Indagado se o país terá alguma contrapartida no negócio, Lobão afirmou que era uma “gentileza” do Brasil. Disse, porém, que na eventualidade de sobra de energia no Uruguai e escassez no Brasil o produto da termelétrica poderia ser consumido pelo mercado brasileiro.

Martinez disse que o governo uruguaio poderá investir sozinho ou em parceria com a iniciativa privada na instalação da térmica a carvão. Para empregar a energia gerada, o Uruguai investirá também em uma linha de transmissão e numa estação conversora - pois a potência lá é menor - com capacidade de 500 MW. Nesse caso, o Brasil poderá entrar como sócio do empreendimento.

O Uruguai tem dificuldade atualmente no suprimento de energia - uma das duas hidrelétricas do país está parada por causa do baixo nível do reservatório. A outra opera com 10% da capacidade. Diante desse cenário, a alternativa é a importação de energia. Ontem, Brasil e Uruguai fecharam acordo de troca de energia. Inicialmente, o Brasil vai enviar 72 MW diários de maio a junho. Nos três meses seguintes, o país vizinho devolverá essa mesma carga.

Até agora, o governo uruguaio comprava energia brasileira gerada em termelétricas e pagava por isso. No acordo de ontem, não há desembolso. O Brasil mantém entendimento semelhante com a Argentina.