Refiro-me à entrevista da página 4, de 16/7, neste JC, concedida pelo prefeito Tuga Angerami ao jornalista Nelson Gonçalves. Bem mais do que uma simples opinião, a realidade é que o atual prefeito de Bauru, sabedor que era (e como!) da precária e falimentar situação dos cofres municipais, realmente “queimou o seu patrimônio eleitoral” não durante sua gestão, mas sim quando pleiteou, conseguiu e depois aceitou sua candidatura à chefia do executivo local, nas eleições de 2004. Se s.excia. tinha algum “patrimônio político”, este foi queimado anteriormente à sua posse pelos seus dois últimos antecessores.
Assim, a análise que o prefeito faz dos fatos é apenas uma pintura em água-forte de todos os fatos políticos ou não que efetivamente ocorreram antes de sua posse, ainda ocorrem durante esta sua gestão, ao mesmo tempo em que antecipa o panorama à frente, visto da ponte da qual se descortina o período pós-eleitoral que se aproxima. Sua análise não vai fundo nas controvérsias havidas em todo o seu governo.
Por outro lado, se, como diz o alcaide, “a candidatura da Rosa (Izzo) é legalmente legítima” (e isso é o “óbvio ululante”), ela, a candidatura, não é conveniente e todos sabemos o porquê: essa é a candidatura que vai tornar toda a campanha nervosa e, ao mesmo tempo, plena de reticências e sobressaltos. O fato de o prefeito não descartá-la durante sua entrevista, evitando até remar em águas passadas, em nada colabora para valorizar, sobremaneira, a próxima disputa eleitoral, que deve ser, antes de mais nada, uma verdadeira festa da democracia! Falar dos seus amigos, ex-colabodores e dos seus nem tanto amigos foi fácil e lógico. Nem podia ser de outra maneira, mesmo porque os menos conhecidos s.excia ignorou.
Enfim, Angerami sabia da inadimplência do município e, assim mesmo, se propôs a fazer, durante sua campanha, aquilo que sabia que não iria poder efetuar! Isso é certo. Em resumo, o prefeito Tuga Angerami paga, até agora, pelo seu excesso de ousadia e de auto-confiança. Decorre disso o seu tardio mea-culpa! Resta-lhe, agora, o consolo de apenas saber que o próximo a lhe suceder já não precisará, antes e depois do pleito de outubro, ousar tanto... como ele ousou. Obrigatório aqui registrar que problemas de saúde, com certeza, podem ter prejudicado a costumeira lucidez com que a boa saúde sempre nos brinda. O prefeito está por merecer um feliz descanso político.
O autor, João Guilherme Ortolan, é colaborador de Opinião