08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Chega!!!


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Depois de um longo período de anonimato, retorno a este ilustre espaço democrático de nossa cidade para demonstrar minha insatisfação acerca de fatos revoltantes que ocorrem em nossa pátria tão maltratada, o Brasil. Bem, mas vamos ao que interessa. O artigo em questão refere-se à catástrofe envolvendo Paulo Roberto Soares, taxista do Rio de Janeiro que, no momento do crime cometido pelos policiais, estava com seus dois filhos e mais sua esposa dentro do carro e que, por uma infeliz coincidência, passava pelo bairro da Tijuca no momento em que os mesmos perseguiam a pé ladrões de carro que fugiram e ao invés dos ilustres autores do fato pedirem para a família descer do veículo simplesmente por um impulso irracional, animal e proposital, confundindo o carro com o dos bandidos, atiraram sem dó nem piedade.

Sequer dando-se ao trabalho de parar e ouvir o apelo de um pai desesperado que vendo que eles estavam em busca dos meliantes, parou para dar passagem à polícia porque entendeu que esse é o dever de todos quando se avista uma operação policial com viatura, ambulância, Corpo de Bombeiros ou qualquer outro veículo que, por lei, têm direito de passar em sinal vermelho sem que o condutor dos mesmos sofra sanções administrativas ou punitivas, pois trata-se de situação de risco iminente de morte, e mesmo assim adotando tal procedimento foram vitimas da ação desastrosa, despreparada e truculenta por parte dos nobres representantes da justiça armada.

Após ter ocorrido o fato, o secretário de Segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, disse que os envolvidos receberão a punição que merecem, seja ela advertência, suspensão ou expulsão, que, convenhamos, esta última seria a mais adequada, já que depois de um procedimento errôneo e infeliz não adianta o mesmo vir à publico pedir desculpas, pois elas não serão aceitas nem pela população que, por obra e graça divinas, ainda consegue-se manter por ora, não se sabe até quando, viva para trabalhar, cuidar de suas casas e famílias, e, aliás, desculpas não trarão o menino João Roberto Soares de volta ao convívio de seus familiares.

Agora, lanço abaixo alguns questionamentos: Por que colocaram a tal película protetora dentro do carro para dar segurança aos ocupantes do veiculo se a mesma não foi capaz de impedir que a bala atingisse o garoto, já que o outro mais novo, graças a Deus, nada sofreu? Por que a polícia não fez um plano de contingência e bloqueio das ruas circunvizinhas à busca dos bandidos para resguardar a população de sofrer perdas humanas como a que ocorreu como o sr. Paulo?

Por que o Rio de Janeiro não mantém uma equipe ostensiva de segurança publica que, digamos assim, “ponha ordem na casa”, como o que ocorreu nos Jogos Pan-Americanos, em que os governos federal e estadual colocaram literalmente, como dizia o ex-prefeito de São Paulo e hoje deputado federal Paulo Maluf, a Rota na rua, que na ocasião do evento era composta por policiais federal, civil e militar e mais o Exército? Será que pessoas comuns não merecem uma vida tranqüila numa das cidades mais bonitas do mundo, mas que devido à falta de preparo daqueles que ao invés de defender aos que lhes pagam por meio dos pesados impostos simplesmente por falta de treinamento ou de humanidade agem verdadeiramente como “bandidos fardados” e acham que pedir desculpas basta? Perdão é eficaz para aquele que perdeu o bem mais precioso que tinha e assim, de forma cruel, grotesca puxaram o gatilho sem que pudessem se defender, e, pior ainda, ceifaram uma família de criar um filho.

Bem, cansei de falar. Como diria aquele cômico personagem de Marilia Pêra , a Gioconda de Duas Caras, num acesso de loucura e revolta: cheeeeeeeeeeega!!!! Obrigado pela atenção e desculpem o desabafo.

Rodrigo Cabello da Silva - Comerciante