Bogotá - No Dia da Independência do país, os colombianos realizaram ontem marchas em várias cidades do país e no Exterior para pedir pela libertação dos mais de 2.800 reféns seqüestrados pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
Os manifestantes pediram que as Farc e outros grupos ilegais parem de tomar pessoas como reféns e deponham suas armas. As passeatas impõem mais pressão às Farc, que sofreram duros golpes recentemente como resultado da ofensiva militar do presidente colombiano, Alvaro Uribe.
Uribe é visto como herói por muitos colombianos por partir para o ataque contra os rebeldes que combatem o governo desde os anos 1960. Ele alcançou 90% de apoio popular depois do resgate de 15 dos reféns das Farc - incluindo a franco-colombiana Ingrid Betancourt e três americanas -, ocorrido em 2 de julho.
Outras manifestações semelhantes foram realizadas em outras cidades do mundo, incluindo Paris, onde Ingrid Betancourt discursou para uma multidão emocionada antes de um concerto do cantor colombiano Juanes.
Ela pediu aos rebeldes que mantenham conversações de paz com Uribe, cujo pai foi morto em uma fracassada tentativa de resgate das Farc, em 1983. Nos últimos 12 anos, 23.854 pessoas foram seqüestradas na Colômbia, das quais 2.800 permanecem em cativeiro.
Mobilização
A jornada, promovida com o lema “Liberdade Já”, teve como ponto central Leticia, uma cidade da selva amazônica onde se reuniram os presidentes da Colômbia, Álvaro Uribe; do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva; e do Peru, Alan García.
Além do tradicional desfile militar do Dia da Independência, a programação incluía um show da estrela pop colombiana Shakira, que cantou o hino nacional colombiano, a convite de Uribe. Na parada também estavam presentes os 11 militares e policiais resgatados pelo Exército no último dia 2, junto com Betancourt e os americanos.
Em Bogotá, as principais ruas foram cobertas de branco desde cedo, com centenas de milhares de manifestantes com camisas brancas com as inscrições como “Liberdade já”, “Chega de seqüestrados” e “Paz para a Colômbia”.
“Há muitas pessoas privadas de liberdade e peço aos colombianos que saiam às ruas para pedir sua libertação”, disse o cabo da polícia Armando Castellanos, um dos resgatados.
A ministra da Cultura colombiana, Paula Moreno, afirmou que até o momento o Grande Concerto, como foi denominada a iniciativa de fazer shows musicais em todos os municípios da Colômbia, é um sucesso ao qual se uniram 1.060 das 1.102 cidades do país.
Alguns atos já foram realizados anteontem em Londres, Madri e Lima, onde grupos de colombianos se reuniram para pedir a liberdade dos reféns e celebrar o aniversário da independência.
As Farc mantêm em seu poder ao menos três políticos e 22 integrantes das forças de segurança, e pretendem trocá-los por prisioneiros. É a terceira manifestação desse tipo realizada este ano na Colômbia, onde mais de 2.800 pessoas são mantidas reféns por diferentes grupos criminosos.
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Show na França pede libertação de reféns
Paris - Uma emocionada Ingrid Betancourt abriu um show em Paris em prol da libertação dos reféns das Farc e exigiu ‘liberdade para todos’ os seqüestrados da guerrilha. Dezoito dias após sua libertação, ela se dirigiu ao atual chefe máximo das Farc, Alfonso Cano, para dizer: “Chega de seqüestros”.
“Veja esta Colômbia, veja a mão estendida do presidente (colombiano, Álvaro) Uribe. Entenda que já não é mais hora de derramar sangue”, disse Betancourt ao chefe das Farc.
Betancourt fez essas declarações no palco montado no Trocadero, em frente à torre Eiffel, diante de milhares de pessoas, a maioria colombianos e de outros países da América Latina.
O ato, que começou com 45 minutos de atraso, teve início com a execução no hino nacional colombiano, cantado pelos cidadãos do país presentes, já que ontem se comemorava o Dia da Independência da Colômbia.
Betancourt disse que ontem era “o dia de fraternidade, da unidade entre todos os colombianos” e afirmou que nessa e em outras concentrações convocadas para reivindicar a liberdade dos reféns das Farc, “o amor é o único (sentimento) que nos move”.
Por isso, “damos graças a Deus, damos graças à Virgem”, disse a ex-refém da guerrilha, acompanhada de vários familiares no palco, com uma enorme bandeira da Colômbia e um cartaz que dizia: “Liberdade e paz”.
Betancourt lembrou que ainda há milhares de reféns em poder das Farc e afirmou que “a guerra tem de acabar na Colômbia e no mundo inteiro”. A ex-refém agradeceu repetidamente a todos os presentes, particularmente “aos franceses, que nunca nos abandonaram”.
Antes do discurso da ex-refém, os organizadores mostraram cartazes com fotos dos companheiros de infortúnio de Betancourt que continuam na selva colombiana e dos quais ela mesma citou os nomes de vários.