Harare - Quase um mês após o segundo turno das eleições presidenciais, o ditador do Zimbábue, Robert Mugabe, e o principal líder opositor, Morgan Tsvangirai, assinaram, em Harare, um acordo que estabelece as bases para negociar a formação de um governo de coalizão que acabe com a crise política no país.
Mugabe também anunciou que seu partido e a oposição estão de acordo em fazer emendas à Constituição para estabelecer uma “nova ordem política”. Tsvangirai classificou de “oportunidade histórica” a assinatura do acordo. Os dois não se encontravam em público desde que Tsvangirai fundou o MDC, em 1999.
O acordo entre a governamental Zanu-PF (União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica) e o opositor MDC (Movimento para a Mudança Democrática) foi assinado em um hotel da capital na presença do chefe de Estado sul-africano, Thabo Mbeki, mediador designado pela Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) nas conversas.
Após a cerimônia, Mbeki disse que o memorando compromete as partes a um “intenso programa de trabalho” para tentar finalizar rapidamente as negociações. “Todos os partidos zimbabuanos reconhecem a urgência dos assuntos que estão discutindo e se comprometeram a completar este processo o mais rápido possível”, disse Mbeki.
Fontes dos dois lados disseram que o acordo estabelece um prazo de duas semanas para o governo e as duas facções do opositor MDC discutirem os principais temas, incluindo a unidade governamental e como organizar novas eleições.
O acordo para iniciar as conversas deveria ter sido assinado na quarta-feira passada em Harare, mas Tsvangirai se negou a fazer isso antes de novas consultas entre a UA (União Africana), a Organização das Nações Unidas (ONU), a SADC e Mbeki.
Essas consultas aconteceram na sexta-feira em Pretória, com a presença do representante da UA para o Zimbábue, Jean Ping; do representante especial para Defesa, Política e Segurança da SADC, George Chikoti, e do subsecretário-geral da ONU, Haile Menkerios.
Ao término das reuniões, a ONU, a UA e a SADC deram seu acordo à proposta de Mbeki de continuar facilitando as negociações entre as facções políticas em conflito no Zimbábue, e especificaram que um grupo de referência respaldará a tarefa do líder sul-africano.