11 de julho de 2026
Política

AHB deve R$ 20 milhões a curto prazo

Por Nélson Gonçalves | Com Alcir Zago
| Tempo de leitura: 4 min

A Associação Hospitalar de Bauru (AHB) assumiu ontem, em relatório enviado ao Legislativo, que tem dívida de curto prazo de R$ 20,3 milhões somente com fornecedores, sem contar compromissos atrasados de R$ 10,7 milhões com os serviços de médicos (honorários). O passivo total da entidade aproxima-se dos R$ 50 milhões mencionados em matéria no início deste ano, em que a entidade discutia a necessidade de financiamento para cobrir os compromissos.

Nas informações prestadas aos vereadores, ontem, estão outros R$ 2,1 milhões também em aberto com fornecedores, mas esta parte a longo prazo, segundo a AHB. Além das contas ainda sem negociação, a associação acumula pelo menos R$ 4,4 milhões de empréstimos. A soma de todos esses itens apresentados pela entidade gera um passivo de R$ 37,7 milhões.

Entretanto, a entidade assume que também não efetuou o pagamento de R$ 4,2 milhões referentes a encargos sociais com a previdência social (INSS) e outros tributos (PIS, Cofins). O acumulado ainda conta com valor de R$ 5,3 milhões lançado como reserva de contingência – que no documento encaminhado aos vereadores não conta com detalhamento.

A realidade financeira coloca a AHB em situação difícil. Os compromissos mensais com salários, fornecedores fixos e manutenção, vislumbram capacidade de equilíbrio pontual. Mas não há, nos dados, apontamento de viabilidade para superar as dívidas. A entidade tentou, no início deste ano, se credenciar para empréstimo junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), mas o processo não avançou.

Depois, a direção AHB discutiu outra linha de financiamento. Mais recentemente, a entidade passou a analisar a possibilidade de empréstimo para pagamento de dívidas junto ao banco Nossa Caixa. Mas o valor discutido não passaria de R$ 5 milhões, cifra que desafogaria algo próximo a apenas de 10% do volume total de dívidas.

Repercussão interna

Em meados de março deste ano, o vereador João Parreira (PSDB) comentou que ouviu do superintendente da AHB, Reinaldo Rocha, em entrevista a uma rádio da cidade, que a dívida da associação já seria de R$ 50 milhões na época, entre bancos, fornecedores e corpo clínico. A cifra supera em quase duas vezes a receita anual, de R$ 30 milhões, advertiu o parlamentar na oportunidade.

Desde então, a Câmara passou a debater a necessidade de audiência pública local para o tema. A AHB comentou no relatório enviado ontem à Câmara que uma audiência só teria sentido se a abrangência fosse nacional, em razão da entidade receber repasses via Sistema Único de Saúde (SUS).

Em seguida, a AHB menciona que já é auditada de forma independente. Por último, a direção da entidade questiona que uma audiência pública local deveria ser realizada em 2009, ou seja, longe do período eleitoral.

Na sessão de ontem, o vereador João Parreira (PSDB) falou a respeito do requerimento que encaminhou às secretarias estaduais da Saúde e da Casa Civil solicitando do Estado estudos para que decida ou não pela intervenção nos hospitais mantidos pela Associação Hospitalar de Bauru (AHB): Hospital de Base e Maternidade Santa Izabel.

Segundo o tucano, a medida foi tomada diante da recusa da direção da entidade em apresentar seus dados contábeis. “Temos insistido na necessidade da realização de uma reunião pública nesta Casa com a direção da AHB para discutir essa situação e buscar soluções, mas, infelizmente, após vários convites nenhuma manifestação ocorreu por parte de seus dirigentes”, citou ele. “Parece que estamos tendo um diálogo com pessoas surdas, que somente mandam recados”.

Parreira cobrou também manifestação do Sindicato dos Médicos, situação que ele classificou como “silêncio sepulcral”.

Dirigindo-se ao presidente da Câmara de Bauru, Paulo Madureira (PP), o vereador solicitou que ao invés de convocar a direção da AHB para uma reunião seja feita convocação. Em seguida, Parreira afirmou que caso não haja resposta irá levar o caso ao Ministério Público, proposta que contou com a adesão de Madureira.

Após tomarem contato com o relatório remetido pela associação, os dois edis comentaram que o documento não continha as informações que esperavam. Segundo eles, é necessário que a AHB apresente todas as dívidas que possui, quais são os fornecedores em débito, quantidade e nome dos diretores, recursos públicos recebidos e gastos, entre outros dados. “Queremos que haja transparência à situação gerada pela dívida de aproximadamente R$ 60 milhões da entidade”, citou Parreira.