O Egito antigo sempre foi um tema muito pesquisado por historiadores, arqueólogos e estudiosos do mundo todo. Mas um professor de desenho industrial do câmpus Bauru da Universidade Estadual Paulista (Unesp) propõe uma nova forma de enxergar um dos temas mais estudados desta civilização: os hieróglifos.
A descoberta da Pedra de Roseta, pelo exército de Napoleão, em 1799, foi o início da ciência que estuda os hieróglifos. Na peça, havia o mesmo texto, um decreto do faraó Ptolomeu V Epifânio, escrito em grego, em egípcio demótico e em hieróglifos egípcios. Dessa forma, foi possível descobrir a antiga linguagem de símbolos usada pela civilização que cresceu às margens do rio Nilo.
A pesquisa do professor Sérgio Busato, mestre em desenho industrial e professor coordenador do curso de design da Unesp, resultou numa nova forma de leitura das figuras egípcias. O estudo chamado: “Uma nova forma de ler a escrita egípcia” propõe uma visualização da imagem em três dimensões, sobrepondo as ilustrações centrais dos painéis de hieróglifos, criando uma espécie de animação das figuras. O resultado é uma imagem mais coerente com a “tradução” dos símbolos. A descoberta foi apresentada no Congresso Internacional de Arqueologia, realizada entre 29 de junho a 4 de julho, na Irlanda.
Uma rádio alemã já divulgou entrevista com o professor sobre a técnica e a revista britânica News Scientist prepara reportagem sobre o tema. Com a divulgação internacional da pesquisa, o professor espera que sua teoria seja investigada e estudada por arqueólogos e egiptólogos.
“Sempre estudei bastante o Egito, seus hieróglifos e símbolos e descobri que havia alguma coisa escondida dentro deles, uma coisa que não se vê à primeira vista. Uma imagem que está ali, para ser vista de algum modo e eu descobri o que era. Descobri que os egípcios enxergavam diferente da gente e desenhavam para esse modo próprio de enxergar”, explica Busato.
Ele revela que fez a descoberta há cerca de dez anos, mas somente com os recursos atuais da computação gráfica conseguiu provar e demonstrar a sua teoria. No trabalho apresentado na Irlanda, o professor avalia que existem três formas de se interpretar os símbolos. A primeira é a tradicional, tal qual os egiptólogos fazem. A segunda é a que se refere aquela imagem na história. E a terceira é a proposta por ele.
Dessa forma, a primeira tradução da imagem estudada - uma figura que consta de um livro do cientista americano Carl Sagan – é que a tábua se refere ao Festival da Bela União, que celebrava o casamento do deus egípcio Hórus com a deusa núbia Hathor. A segunda tradução mostra em que cidade a festa, que se realizava na primeira quinzena da cheia do rio Nilo, era celebrada.
A terceira, proposta por Busato, mostra o sentido buscado pelos deuses com a união: a paz e estabilidade do Egito com a miscigenação de dois povos. O que ele enxergou ao aplicar a técnica na imagem foram as imagens dos deuses (que no desenho original estão de costas uma para o outro) frente a frente, trocando seus bastões.