11 de julho de 2026
Polícia

Policiais civis de Bauru anunciam adesão à paralisação a partir do dia 13

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

A partir do próximo dia 13 de agosto, a Polícia Civil de Bauru pode entrar em greve para agregar forças ao movimento que se estende por todo o Estado de São Paulo para reivindicar reposição salarial. Embora se neguem a conceder entrevista formal à imprensa, policiais civis consultados pelo JC acreditam que a paralisação seja inevitável pela intransigência do governo estadual em não abrir negociação com a categoria.

Como a insatisfação da categoria é grande, a tendência é de que a adesão também seja significativa, principalmente no Interior do Estado, conforme destaca Márcio Cunha, delegado regional do Sindicato dos Investigadores de Polícia do Estado de São Paulo (Sipesp). “O movimento ganha força a cada dia. Colegas que estavam apáticos começaram a vestir a camisa. Estamos nos articulando e esperamos a adesão maciça dos policiais”, diz.

Por mais que a segurança da população seja colocada em risco, a medida radical parece ser, para a categoria, a única maneira de conquistar parte da pauta de reivindicações trabalhistas. De acordo com Cunha, em maio representantes sindicais já haviam enviado uma lista de reivindicações à Casa Civil, mas não obtiveram nenhuma resposta. Agora, no próximo dia 6 de agosto, a entidade se reúne com os profissionais da região para definir os últimos detalhes antes do início da greve.

Anteontem, cerca de 60 policiais civis de Bauru participaram de uma manifestação na Capital contra a política do governador José Serra, junto com outros 900 colegas que empunharam faixas e cartazes de protesto. No encontro, que também comemorou os 200 anos da corporação no Brasil, eles reiteraram que o início da paralisação está marcado para o dia 13 de agosto, caso a administração paulista não mude de postura.

Entre as reivindicações, estão o reajuste salarial de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), incorporação das gratificações aos vencimentos - inclusive para aposentados e pensionistas -, reestruturação da corporação, valorização da carreira e melhores condições trabalho.

Os policiais civis não determinaram um índice de aumento reclamado, mas o Sipesp informou que os policiais não recebem reajustes significativos nos salários há 13 anos e que a defasagem chega a 200%. De acordo com a entidade, um delegado em início de carreira em São Paulo tem salário de R$ 3.500,00, enquanto que o mesmo cargo em Brasília, por exemplo, chegaria a R$ 10.800.

“O Estado de São Paulo tem o maior Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil e oferece uma das piores remunerações para a categoria em todo o País”, observa um policial civil, que preferiu não se identificar. O sindicato adiantou ainda que, caso a greve seja deflagrada, os policiais civis irão paralisar suas atividades, garantindo apenas os 30% de funcionamento previstos em lei.

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da Secretaria da Segurança Pública informou que não irá se manifestar a respeito da mobilização grevista. No entanto, afirmou que, em outubro do ano passado, o governador José Serra sancionou um aumento salarial de até 23,43% para os 125 mil policiais civis, militares e técnico-científicos do Estado.