• Barulho no cemitério
Ou o discurso político não combina com a prática ou a temática está no avesso em Bauru. Depois da discussão sobre a transferência do serviço de funeral para a iniciativa privada gerar polêmica, há algum tempo, com a rejeição ao projeto do prefeito por falta de um voto para atingir os 2/3 (10 votos), agora é a situação dos coveiros que alimenta a tese do provável antagonismo entre o público e o privado.
• Do velório até a cova
Trocando em miúdos, a história é mais ou menos assim: seis vereadores rejeitaram a “privatização” do serviço de funeral assistencial em 2007, com o aplauso do Sindicato dos Servidores (Sinserm), este que, por questão de lógica de atuação na época, saiu em defesa da função pública para esta etapa do serviço. Mas agora, para construir o jazigo, o sindicato quer o profissional autônomo.
• A PPP do defunto
Ainda que pese outra discussão necessária sobre o caso, a suposta ocorrência de irregularidade no concurso público com a presença dos próprios autônomos na banca julgadora do processo conduzido pela Emdurb, a essência da polêmica lembra Odorico Paraguaçu, na obra de Jorge Amado. Em Sucupira, inauguraram o cemitério e ninguém morria para inaugurar a obra. Em Bauru, o tema instala a verdadeira Parceira Público Privada (PPP) do defunto!
• Não é comigo???
E para estender a discussão entre relações público e privado, a posição da Direção Regional de Saúde (DRS-6) na discussão do financiamento do setor em Bauru merece ser trazida para a mesma esfera. Ao rejeitar comentar a situação de dificuldade financeira enfrentada pela Associação Hospitalar de Bauru, a DRS-6 justificou que se trata de “entidade privada”. Mas a discussão é sobre utilização de recurso público repassado ao setor privado.
• Assento na AHB
Pior sinal, sobre este tema (AHB), alguém lembrou ontem que até 2005 a Câmara Municipal tinha um representante na Associação Hospitalar. O cidadão informou ainda que naquela época a dívida já era grande, pois a situação havia começado a se complicar bem antes. “Portanto, não deve ser tão surpreendente a situação para a Câmara”, disse o bauruense, que pediu para não ser identificado.
• Pagamento menor
A decisão da Fundação de Previdência (Funprev) de pagar apenas em parte o valor relativo à metade do 13º salário ampliou as reclamações ontem. Se os servidores em situação de auxílio-doença já estavam bravos por não receberem o adiantamento junto com os demais na semana passada, ficaram irados quando observaram valores a menor, ontem.
• Falta ponderação
O presidente da Funprev, Gilson Gimenes, argumenta que houve mudança no critério de cálculo aplicado pela assessoria que presta serviços à fundação, a Conam. Com a nova metodologia, muitos receberam ¼ do valor referente aos 50% do 13º salário. Isso não ocorreu em 2007, 2005, 2006... Ou seja, faltou, novamente, planejamento e ponderação antes de se tomar uma decisão que mexe com a rotina da vida de terceiros.