09 de julho de 2026
Nacional

BC surpreende e anuncia aumento de juros para 13%

Por Eduardo Cucolo | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) anunciou ontem um aumento de 0,75 ponto percentual na taxa básica de juros. Assim, em decisão unânime, a taxa Selic subiu de 12,25% para 13% ao ano. A decisão surpreendeu a maioria dos analistas do mercado financeiro, que esperavam um aumento de 0,5 ponto.

Parte dos economistas, no entanto, já previa que o BC poderia acelerar o ritmo de alta dos juros para evitar uma disparada da inflação. “Avaliando o cenário macroeconômico e com vistas a promover tempestivamente a convergência da inflação para a trajetória de metas, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 13% ao ano, sem viés”, informou o comitê em nota após a reunião.

Trata-se do terceiro aumento da taxa em 2008. No início do ano, a Selic estava em 11,25% ao ano. Com a alta da inflação, o BC iniciou uma nova série de aumentos dos juros para tentar segurar a escalada de preços. Foram dois aumentos de 0,5 ponto percentual.

Agora, os juros voltaram ao mesmo patamar de janeiro de 2007. O maior nível da taxa Selic no governo Lula foi alcançado no início do governo, em fevereiro de 2003 (26,5% ao ano). Esse não deve ser o último aumento de juros neste ano. Os economistas ouvidos pelo próprio BC esperam que a taxa básica termine 2008 em 14,25% ao ano. O mercado espera uma nova alta para 13,25% na reunião do Copom no início de setembro; outra para 13,75% em outubro; e para 14,25% em dezembro. Em janeiro de 2009, os juros chegariam a 14,75% e só voltariam a cair, na previsão do mercado, no segundo semestre, para terminar o ano em 13,75% ao ano.

A alta dos juros é uma tentativa do BC de evitar que a inflação estoure o teto da meta para 2008. A meta definida pelo governo para o IPCA (indicador oficial de inflação medido pelo IBGE) é de 4,5% (centro da meta), com tolerância de dois pontos, podendo chegar a 6,5% (teto da meta).

O próprio BC prevê uma inflação de 6% para este ano e de 4,7% para 2009, ambas acima do centro da meta. A instituição também já admite que há 25% de chances de a inflação estourar o teto da meta para este ano. Para os economistas ouvidos pelo BC, o IPCA vai terminar 2008 em 6,53%.

Apesar do discurso de parte do governo de que a inflação estaria restrita aos preços dos alimentos, o BC já admite que ela tem contaminado outros setores da economia. Parte desse efeito será sentido nas tarifas e aluguéis reajustados pelos Índice Geral de Preços (IGPs), por exemplo, que devem fechar o ano acima de 12%, na previsão de mercado financeiro.