Entre 1874 e a Primeira Guerra Mundial, iniciada em 1914, Cartagena gozou de uma conjuntura econômica muito favorável, fruto, sobretudo, do auge da exploração de minérios, que, por sua vez, estimulou o desenvolvimento da indústria e do comércio.
Essa boa fase econômica se refletiu na proliferação de ricos edifícios de estilo modernista (para a época), isto é, cheios de elementos decorativos de base eclética. A cidade procurava rivalizar-se com Madri e Barcelona.
O Ayuntamiento (Prefeitura) é de 1907. A construção toda branca reponde a um estilo eclético e clássico afrancesado pensado para ressaltar o caráter oficial e representativo do edifício. No interior, destaca-se o vestíbulo, com a magnífica escada imperial. A fachada para a praça dos Heróis da Guerra contra os Estados Unidos em Cuba sustenta a torre do relógio. A cúpula é arrematada por um campanário.
Ao caminhar pelo Centro da cidade, o turista vai se deparar facilmente com palacetes de fachada muito bem conservadas. A Casa Maestre foi inspirada na casa Calvet de Gaudí - o inovador arquiteto catalão - e tem claras reminiscências barrocas. A Casa Dorda conserva um pátio central, que acabou de ser restaurado, com elementos inspirados na mesquita de Córdoba, e na Alhambra, de Granada.
Já o Gran Hotel (1909-1916) tem linhas do modernismo vienense e francês, principalmente no arremate do teto com uma cúpula redonda. Hoje, abriga escritórios comerciais, mas por fora guarda a sua autenticidade. O projeto alterna cores branca e vermelha nas paredes externas.
Na caminhada pode-se observar o Cassino, que tem porta do século 18. Foi o palácio de um marquês e guarda muito da antiga riqueza. Foram conservados os móveis e as cristaleiras dos salões. Serve ainda para encontros burgueses e grandes festas.
Merece uma visita a Estação de Trem do início do século passado. A fachada neoclássica tem um portal art nouveau na entrada principal encimada por um relógio.
A rua Cuatro Santos conduz à Praça de la Merced, lugar dominado pelo palácio Aguirre. O edifício de 1901 é atualmente utilizado pelo governo regional. Foi construído por uma família de prósperos empresários do ramo de mineração. Existe ali um espaço ocupado pelo Museu Regional de Arte Moderna (Muram). As cerâmicas da fachada e a capela neogótica em seu interior.
Mas Cartagena não vive só do seu passado. Tem uma juventude moderna que freqüenta as baladas de sábado à noite. As famílias gostam de se reunir nas plazoletas cheias de barzinhos com mesas na calçada, excelentes lugares para “tapear”. Tapas são os petiscos que obrigatoriamente são servidos a cada rodada de bebida. Eles gostam da cerveja feita lá mesmo, bem maltada e amarga, mas de excelente paladar.
Forte de Navidad
O catamarã turístico leva os visitantes para uma fortaleza bem conservada, construída no século 19, chamado de Forte de Navidad, construído em 1860 sobre um outro, mais antigo, de 1739. É um baluarte frente ao mar, de muros verticais cheio de casamatas que dão abrigo aos canhões.
No século 20 perdeu sua utilidade defensiva, mas ainda foi usada como quartel durante a Guerra Civil Espanhola, de 1937. Em 2007, foi restaurado e preparado para receber visitantes. Existe um farol no molhe bem em frente para orientação das embarcações à entrada do porto.
• Serviço
A Iberia tem vôos diários do Brasil para Madri, onde, no Aeroporto de Barajas, saem conexões para toda a Espanha e Europa. A Ibéria tem uma linha regional, a Ars Nostrum, que leva a Cartagena. O Centro Oficial de Turismo Espanhol pode oferecer orientação aos viajantes. Sites www.spain.info e www.murciaturistica.es.