10 de julho de 2026
Internacional

Autoridades procuram quem ajudou Karadzic a assumir identidade falsa

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Washington - As autoridades sérvias estavam investigando ontem quem ajudou o ex-líder sérvio-bósnio Radovan Karadzic a assumir a identidade falsa que permitiu a ele evitar sua captura por acusações de genocídio por mais de uma década. Bruno Vekaric, porta-voz da Promotoria sérvia para crimes de guerra, disse que essas pessoas serão encontradas e processadas. Ele acrescentou que os investigadores estavam tentando também determinar a identidade verdadeira de Dragan Dabic - o nome usado por Karadzic durante os mais de 12 anos que ele fugiu da Justiça.

Karadzic foi preso em Belgrado na segunda-feira e está aguardando extradição para o Tribunal Penal internacional para a ex-Iugoslávia, em Haia, na Holanda.

De acordo com oficiais sérvios, Dabic morreu em 1993 em Sarajevo. A mídia sérvia informou que Dabic era um lutador sérvio que morreu na guerra. Mas em Sarajevo, relatos dizem que ele foi um civil morto pelas tropas de Karadzic quando elas tomaram a Capital durante a guerra.

As discrepâncias sobre a verdadeira identidade de Dabic existem porque existiam vários homens com o mesmo nome em Sarajevo naquele tempo. Vekaric se negou a especular. “Há sete Dragan Dabics em Sarajevo, vivos ou mortos”, disse.

Segundo o porta-voz, Karadzic obteve os documentos falsos enquanto o regime do ex-presidente sérvio Slobodan Milosevic (1987-2000) estava no poder.

Prisão de Ratko Mladic

A secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, disse ontem, em Cingapura, que espera a captura e prisão de Ratko Mladic -ligado à Radovan Karadzic e também procurado pelo Tribunal Penal Internacional da ex-Iugoslávia por genocídio.

“Os sérvios estão progredindo no fechamento de um capítulo ruim de sua história e espero que Mladic seja o próximo”, afirmou Rice.

Na segunda-feira, o ex-líder sérvio-bósnio Radovan Karadzic foi capturado e acusado por arquitetar os assassinatos em massa que o tribunal da ONU (Organização das Nações Unidas) para crimes de guerra descreve como “cenas do inferno, escritas nas páginas mais negras da história humana”.

Questionada sobre a prisão de Karadzic, Rice disse que “é um passo adiante para a Sérvia”. A detenção “ilustra a forte vontade de um novo governo sérvio e espero que os esforços acelerem” para ajudar Belgrado em suas aspirações de integração à União Européia, disse ainda a secretária de Estado.

Contudo, diante dos crimes cometidos pelo ex-líder, ela destacou que “é difícil empregar o termo vitória, levando-se em consideração todas as crueldades pelas quais é responsável”.