11 de julho de 2026
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Candidatas nas eleições municipais


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Restabelecida a ordem democrática com a queda de Getúlio Vargas, as eleições de 1947 ocorridas em Bauru apresentaram 182 candidatos, dos quais duas eram mulheres: Aracy dos Santos Coelho e Lurdes de Oliveira Santos, ambas do Partido Social Trabalhista, corajosas pioneiras em disputarem no pleito local, quando o preconceito da participação feminina na política era enorme. Dos 10.156 votos válidos apurados, seu partido obteve 785, elegendo Manoel José Donato (depois cassado sob a alegação de ser comunista). Aracy teve 30 sufrágios e Lurdes 22.

O cenário de participação feminina nas eleições municipais de Bauru pouco mudou até o pleito de 1982, sendo que em 1951, dos 160 candidatos, uma mulher somente concorreu: Elza de Souza Moraes, do PST. Em 1955, com 181 candidatos, novamente somente uma candidatou-se: Eva de Souza, do Partido Trabalhista Brasileiro. Em 1959, com 191 candidatos, três mulheres pleitearam o cargo de vereadora: Guiomar Ferrari de Oliveira, do Partido Rural Trabalhista, Professora Celina Lourdes Alves Neves, do PTB, e Madalena Ribeiro Gomes, pelo Partido Trabalhista Nacional.

Em 1963, de 179 postulantes, três novamente foram mulheres; em 1968; de 62 candidatos, em pleno regime militar, somente a professora Celina aventurou-se em candidatar; em 1972, Guiomar Ferrari, do MDB, pelejou com 28 outros candidatos (vereador não recebia subsídio e talvez seja o motivo do baixo número de postulantes). Guiomar não obteve êxito; em 1976, com 98 candidatos, 4 mulheres foram ao pleito; em 1982, finalmente, encerrando um ciclo eleitoral da história política brasileira, com o início de nova reabertura política, de 179 postulantes, 6 eram mulheres. A professora Celina teve 513 votos em 1972, 1021 em 1976 e 632 em 1982; Guiomar Ferrari teve seu melhor desempenho em 1976, com 532 votos e Rosária Conceição Mene, pelo Partido Democrático Social, teve 564 votos em 1982.

Nesse mesmo período, em pleitos diversos, Guiomar Ferrari de Oliveira (PTB em 1963; Movimento Democrático Brasileiro em 1972 e Partido Democrático Social em 1982) e Celina Lourdes Alves Neves (PTB em 1963; Aliança Renovadora Nacional em 1968, Arena em 1976 e Partido Democrático Social em 1982) conseguiram, em determinados momentos políticos, na condição de suplentes, assumir temporariamente a cadeira de vereadora.

Para o cargo de prefeito e vice o quadro é desolador, pois somente nas eleições de 15 de novembro de 1982, duas mulheres, Célia Domingues e Nair Leite Ribeiro, pelo Partido Democrático Trabalhista, atreveram-se a candidatarem e, num universo de 79.974 votantes, obtiveram exíguos 59 sufrágios.

Em 35 anos de eleições municipais periódicas, no desenrolar de nove pleitos, para o Legislativo bauruense nenhuma candidata foi contemplada. É um paradoxo, explicado somente com a constatação de mulher raramente votar em mulher, pois o eleitorado feminino representa em torno da metade daquele que comparece obrigatoriamente às urnas.

O quadro eleitoral pós Constituição de 1988 pouco se alterará em relação à presença feminina no Poder Legislativo, ocupando cargo de vereadora. Voltarei ao assunto.

O autor, Irineu Azevedo Bastos, é colaborador de Opinião