Crítico da argumentação das concessionárias, o empresário Flávio Henrique da Silva Pontes, proprietário de um ponto de mototáxi com 25 funcionários, acredita que o tráfego de motos – considerados veículos leves – não representa um alto custo para as concessionárias. Para ele, a medida tomada pelo governo será prejudicial a todos os 36 mil motociclistas de Bauru, mas principalmente àqueles que utilizam a rodovia Marechal Rondon para transportar documentos e peças de maquinários a serviço de grandes empresas.
“Fazemos viagens a trabalho para Lençóis Paulista, Botucatu, Pirajuí, Araçatuba e Lins. Se houver pedágio nesses trechos e tivermos de pagar, certamente esse valor terá de ser repassado para os clientes”, avalia, afimando que a categoria terá pouca força para protestar contra o pedágio nas estradas. “Infelizmente, não temos um sindicato exclusivo dos mototaxistas na cidade. Existe muita desorganização e muita rixa entre os pontos (de mototáxis). É cada um por si e Deus por todos”, comenta.
No entanto, conforme adianta Lucas Pimentel, presidente da Associação Brasileira de Motociclistas (Abram), entidade que possui mais de 42 mil associados, a classe irá se manifestar caso a lei que isenta as motos nas praças de pedágio seja revogada. “Vamos, pôr todos os meios legais e cabíveis, nos posicionar contra essa medida que, para nós, é um retrocesso absurdo”, argumenta.
Para a Abram, a notícia da cobrança do pedágio é um ‘presente de grego’, já que a categoria comemora no próximo domingo o Dia Nacional do Motociclista. “A medida vai penalizar os trabalhadores porque 70% da frota de 13 milhões de motos do Estado é utilizada como ferramenta de trabalho”, diz Pimentel.