08 de julho de 2026
Geral

Compulsão alimentar exige controle

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

“Eu tomava uma garrafa de refrigerante, comia três pães com queijo, presunto e ketchup, um pacote de bolacha recheada. Era algo que eu não tinha controle. Depois, batia o arrependimento, eu me sentia um lixo.” O depoimento mostra bem o drama vivido por pessoas que sofrem de uma doença que não tem cura: a compulsão alimentar.

Muitos associam essa doença a um vício, mas com uma agravante. Quem é viciado em drogas, álcool ou cigarros, por exemplo, pode se livrar deles e nunca mais ter contato. São substâncias que podem ser eliminadas da vida de uma pessoa. A comida, não. O contato com ela é diário e obrigatório.

“É a mesma coisa que você encher de drogas o armário de um dependente químico e dizer para ele que é para consumir só um pouquinho de cada vez. Com o compulsivo alimentar, é igual. Ele é um dependente de comida”, compara a esteticista Janete Thomé do Nascimento Pugliesi, 33 anos, que deu o depoimento do início da matéria. Nesse caso, a saída é controlar o que se come e a quantidade.

Janete lembra que, na infância, não foi uma criança obesa, mas engordou 20 quilos entre os 14 e 16 anos. Quando completou 23 anos, entrou em desespero. “Eu tinha 1,62 metro e pesava 84,5 quilos. Quando me dei conta disso, fui para casa e chorei a tarde inteira”, recorda. Na época, Janete estava em seu primeiro ano de casamento.

A partir de então, decidiu que iria emagrecer. “Meu primeiro passo para isso foi admitir que eu era uma compulsiva, porque a compulsão é algo que você não percebe”, diz. Em nove anos, Janete emagreceu 29 quilos. Só nos quatro primeiros meses, foram 14 quilos a menos. Ver que o esforço estava dando resultado foi o estímulo que ela precisava.

Além da força de vontade, Janete teve de passar por uma reeducação alimentar e começou a praticar atividade física. “É uma disciplina que você tem de manter para o resto da vida”, ensina. “Hoje, me sinto uma vitoriosa. Eu não perdi o prazer de comer, mas tenho controle da minha compulsividade”, afirma. Ela conta que a participação do marido foi muito importante: ele não se incomodava em não ter mais doces em casa e de não pedir pizzas.

A nutricionista Carolina, 32 anos (a pedido da entrevistada, o nome foi trocado), guarda com carinho as fotos de quando era “gordinha”. Não que ela tenha saudade daquela época. Elas servem de incentivo para continuar sua luta diária pelo controle da compulsividade. “Quando eu vejo como eu era e como sou hoje, a auto-estima cresce.” Depois de chegar aos 85 quilos (durante a gravidez), a nutricionista mantém, há vários anos, seu peso em 55 quilos.

Ela conta que sempre foi compulsiva, mas o problema piorou quando engravidou. “Eu tinha uma vontade desesperadora de comer doce, principalmente. Depois vinha um sentimento de culpa, de que não devia ter comido”, fala.

Dos 30 quilos que ganhou na gravidez, a nutricionista só perdeu 10. Os outros 20 só desapareceram quando ela decidiu fazer um tratamento sério, ou seja, mudar a alimentação e passar a fazer atividade física, além de medicamento como complemento. “É uma mudança de hábito que tem de ser para o resto da vida. Se relaxar, engorda tudo de novo”, alerta.

Acupuntura

A compulsão alimentar pode ser controlada com sessões de acupuntura. É o que garante a farmacêutica bioquímica e acupunturista Lúslei Maristel Santos Morales. Segundo ela, a partir do momento em que é detectado o ponto energético que está em desequilíbrio no paciente, a acupuntura consegue saciar o desejo exagerado de comer.

De acordo com Maristel, trabalhar o lado emocional do paciente é fundamental para o sucesso do tratamento, porque o descontrole alimentar está quase sempre associado a um desequilíbrio emocional.

A dona-de-casa Nilbe Giuseppe da Silva, 54 anos, utilizou a acupuntura para emagrecer quase 30 quilos, mas teve também de mudar a alimentação e passou a caminhar todos os dias. Sua pressão arterial, que chegava fácil perto dos 20, atualmente gira em torno de 13 por 8.

“Eu sou muito ansiosa. Tenho compulsão por doce. Até hoje sinto falta. É uma luta constante”, afirma ela, que chegou a pesar 108 quilos. Mas o esforço valeu a pena. “Emocionalmente, eu me sinto muito melhor. Me sinto mais disposta para sair, comprar uma roupa, me arrumar”, comemora.