09 de julho de 2026
Geral

Dinamismo no trabalho pede atualização

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

“Um profissional desatualizado é um profissional fadado ao fracasso”. A frase, do vice-diretor do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Jair Manfrinato, sintetiza a atual condição do trabalho em meio à acelerada velocidade em que transformações do mundo moderno ocorrem.

Nesse contexto dinâmico, o profissional precisa demonstrar conhecimento, inteligência e vontade para construir uma carreira bem sucedida, segundo a avaliação de Manfrinato, que também é vice-diretor da Faculdade de Engenharia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), no câmpus de Bauru.

“As empresas estão à procura de pessoas pró-ativas”, revela ele, explicando que o capital humano é, face à democratização do acesso às novas tecnologias, fundamental para fazer a diferença e garantir o sucesso das organizações.

“Por isso, o indivíduo deve estar em constante processo de atualização de seu conhecimento. Não deve procurar aprimoramento apenas quando pretende mudar de emprego. Caso contrário, ele corre o sério risco de ficar fora do mercado de trabalho”, considera.

Charbel Jabbour, também do Departamento de Engenharia da Unesp, observa que, ao contrário do que ocorria antigamente, a segurança de um emprego eterno se transformou em uma rara realidade. “Antes, as pessoas passavam uma vida toda dentro da mesma empresa, estabeleciam um vínculo que agora não existe mais. O que há, hoje, é uma vasta gama de novos postos de trabalho e de oportunidades em mercados dentro e fora do País”, frisa.

Nesse novo “contrato de trabalho”, muito mais competitivo e desafiador, se sobressai quem aliar habilidades e atitudes a um nível de conhecimento acima da média. E conquista os melhores postos de trabalho quem tecer a mais oportuna rede de relacionamentos pessoais, segundo Jabbour.

“Essa rede pode abrir espaço para novas oportunidades. Tanto é que muitas pessoas acabam recebendo propostas de emprego por indicação de ex-colegas de trabalho que estão atuando em outras empresas”, afirma.

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Trocar de empresa implica riscos

O simples pensamento de perder a estabilidade trazida pelo emprego pode ser assustador, mas procurar por novas oportunidades que tragam satisfação pessoal e profissional não é nenhum pecado. Duas jovens profissionais de Bauru decidiram abandonar a segurança do emprego que tinham para se arriscar por novos e desconhecidos rumos.

Raquel Gomes Fernandes, 23 anos, e Patrícia Mereu Pioto, 22 anos, possuíam um emprego estável e recebiam uma razoável remuneração, mas estavam insatisfeitas. Ambas cursavam o ensino superior e, em um momento crucial, decidiram encarar um novo desafio.

Raquel trabalhava como auxiliar de marketing em uma loja varejista de Bauru e já estava no último ano de faculdade de administração e marketing. Logo que enviou seu currículo para uma grande fábrica de produtos plásticos da cidade, foi chamada para uma entrevista.

No entanto, a proposta inicial era de contratação como estagiária, por um salário bem menor se comparado ao que ela recebia na loja. “Para piorar, meu patrão ofereceu uma promoção e um aumento de salário, pedindo que eu não saísse. Fiquei 15 dias pensando no que deveria fazer, quase não dormia, foi uma tortura”, conta.

Com o apoio da família e vislumbrando a possibilidade de crescimento profissional, finalmente trocou de empresa. Hoje, passados quase dois anos, Raquel já foi efetivada e recebe um salário melhor do que ganhava no antigo emprego.

A colega Patrícia também trocou de empresa acreditando na chance de se realizar no trabalho. Estudante universitária de design, ela permaneceu por mais de um ano fazendo desenhos para um escritório de engenharia mecânica. “Era um trabalho muito técnico, maçante e eu não tinha oportunidade de criar nada, só fazia o que me mandavam”, relembra.

Após disputar uma vaga de desenhista de produtos na mesma empresa em que Raquel trabalha, foi selecionada. “Mudei de emprego e não me arrependi. Como ainda não me formei, não posso criar muita coisa. Mas já tenho a convivência com profissionais da minha área, que me ensinam muito todos os dias”, diz.