Abrem-se as cortinas e começa o espetáculo. A magia do circo parecem contagiar a platéia com seus números e alegria. Cenas como estas foram freqüentes no Alameda Quality Center nas últimas duas semanas. A programação incluía a Oficina de Circo, que envolveu crianças e encantou os pais, que assistiam atentamente.
Hoje, para a tristeza da garotada, é o último dia, o que significa que ainda dá tempo de conferir um pouco sobre as artes circenses. Para participar, basta chegar e querer aprender e fazer parte das apresentações, afirma a coordenadora do projeto em Bauru, Nina de Castro, da Companhia Estripulias Imagináveis.
“Todo mundo pode participar. É muito interativo.” Nina explica que cada criança participará de números que têm condições de realizar e desde que não tenha medo. “Estamos formando artistas”, diz, alegremente.
O objetivo do projeto, que tem coordenação geral de Gilberto Caetano, é divulgar a arte circense. Por isso, todo o espaço é decorado com fitas coloridas, laços, tecidos, trapézio, lira, guarda-chuvas com muitas cores, pratos girando sobre pontas de vareta, malabares, noções de acrobacia, mágica, palhaçadas e muito mais.
É em meio a esse cenário que as crianças entram em contato na oficina. “É muito divertido”, diz a garota Chiara Picolo Diomedes, 8 anos, que Estuda na Escola Guedes de Azevedo.
Perguntas do tipo: “Tia, vocês vão voltar outras vezes para a gente continuar aprendendo”, são comuns para Nina, que se deparou com crianças que participavam das atividades todos os dias. Isso mostra o quanto a garotada gosta de se aventurar nos números, principalmente os aéreos.
Giovanna Mattiello Sormani, 11 anos, aluna do Preve Objetivo, participa de números no tecido vermelho que fica suspenso. Apesar de conseguir executar quase todos os números, menos a lira e o trapézio, este é o que ela mais gosta. “Sempre vi e nunca tive chance de aprender. Quando eu descobri que aqui eu podia fazer isso, vim correndo”, frisa.
A lira e o trapézio são os números preferidos de Lorrine Mondin Fernandes, que tem 10 anos e estuda no Colégio Seta. Ela diz que arrisca também um pouco em malabares e parece ter facilidade para aprender as artes circenses, pois participa da oficina há uma semana. Para ela, a diversão e a maneira que os instrutores ensinam são as principais atrações. “A paciência e o cuidado que eles têm fazem a diferença”, aponta.
Marina Pícolo Pasian, 13 anos, aluna do Seta, afirma gostar bastante da Oficina de Circo. “Dá para aprender muitas coisas brincando”, define.
Jordana Mattiello Sormani, mora em Agudos e vai todos os dias para as “aulas”. Ela, que tem 8 anos e estuda no colégio Máximo, diz que o trapézio é seu número preferido. “Eu assistia às apresentações e achava lindo, então eu queria fazer”, diz Jordana. “Agora eu sei que sou capaz”, destaca.
Para Cauê Assis Gifalli, 9 anos, aluno do Colégio Criativo, o que mais chama a atenção no trapézio é o desafio. Ele conta que decidiu aprender os números para superar seu próprio medo e por achar que este elemento é um dos que mais exige força.
No entanto, não é só o trapézio que exige coragem, mas também a lira e tecido. Carolina Assis Gifalli, 11 anos, aluna do Colégio Criativo, mesmo com um pouquinho de medo para realizar alguns números na lira, é participante de belas apresentações.
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O circo vai acabar?
Entra ano, sai ano, vem espetáculo e todo mundo se pergunta se a arte circense um dia vai acabar diante de tantas novidades que aparecem no mundo. “Com certeza não”, diz Nina de Castro, da Companhia Estripulias Imagináveis, que coordena projeto oficina de circo em Bauru.
O instrutor da Oficina de Circo, Anderson Ued, faz questão de lembrar que ouve falar que o circo vai acabar desde que era criança e até hoje isso nunca aconteceu. Pelo contrário. Segundo ele, a arte circense é cada vez mais valorizada pelo aumento do número de escolas de circo no País inteiro. “São ótimas oportunidades de emprego”, frisa ele.
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História
Existem vários tipos de circo: o tradicional, o de rua, o chinês, o russo e muitos outros. O universo circense é, na verdade, um conjunto de diversas artes, como malabarismo, palhaço, acrobacia, monociclo, equilibrismo, ilusionismo...
Há cerca de 5 mil anos, pinturas onde aparecem acrobatas, contorcionistas e equilibristas foram descobertas na China, partindo daí uma hipótese do surgimento da arte circense.
Mas o circo como conhecemos hoje, um espetáculo pago, em volta de um picadeiro onde se apresentam artistas com diversas habilidades, é uma invenção recente. Surgiu na Londres de 1770. O nome ‘circo’ foi utilizado pela primeira vez em 1782 por Charles Hughes, que criou o Circo Real.
Nos séculos 19 e 20, as companhias circenses se espalharam rapidamente pela Europa e América, inclusive no Brasil, e logo foram adotadas pelas numerosas famílias de saltimbancos, que há séculos se apresentavam em feiras e quermesses.
Eles trouxeram os animais selvagens e domesticados, os números de variedades, o trapézio, a corda bamba, a música, o drama e a comédia, criando um tipo de espetáculo que se desenvolveu plenamente até a metade do século 20.
A partir dos anos 80, o circo começou a mudar, através de companhias inovadoras, como o Cirque du Soleil, assimilando justamente as técnicas e a tecnologia originária dos grandes shows multimídia. Assim, o circo se tornou espetáculo vigoroso, dinâmico, grandioso e antenado com seu tempo.
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Conheça alguns elementos do circo
• Trapézio: É composto por duas cordas presas a uma barra de ferro com aproximadamente 50 cm de largura que ficam presas no teto. É uma das maiores atrações do circo. O número exige força, mas é cheio de suavidade.
• Palhaço: É ele que, com suas palhaçadas, faz o público adulto esquecer os problemas do dia-a-dia. Ele anima e tira risos dos espectadores com suas artes e piadas engraçadas.
• Mágico: É responsável por impressionar a platéia com suas magias e ilusionismo. Tirar coelhos da cartola e moedas das orelhas das crianças estão entre os números bem conhecidos.
• Malabarista: Pessoa que faz número com malabares, tais como equilibrismo, joga com várias bolinhas, garrafas e outros elementos, sem deixar nenhum cair. Seu número exige muita habilidade.
• Lira: É uma argola fixada no teto por uma corda. É um número aéreo em que os artistas fazem movimentos que se assemelham ao balé.
• Pratos girando: Os artistas conseguem equilibrar pratos na ponta de uma vareta e girá-los, surpreendendo a platéia.
• Tecido: O tecido é um elemento que fica suspenso no teto e os artistas vão se movimentando apoiados nele. Muitos movimentos são graciosos e outros impressionantes.
• Fitas: As fitas dão um colorido muito especial. Os artistas seguram na ponta e fazem movimentos que garantem um belo efeito visual.