08 de julho de 2026
Ser

Minha história: O piano


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Rio de Janeiro, 1956. Com sacrifício hercúleo a mãe comprou um piano. Ele, 10 anos de idade, era destro ao dedilhar o ébano e o marfim do teclado. O tilintar das teclas produzia eufonia. As tocatas de piano acariciavam os tímpanos exigentes. Serviu no exército (1965). No quartel, um gatilho acionado acidentalmente. A bala transfixou a mão direita do pianista.

Iam amputar sua mão infeccionada. Um médico chileno, partícipe de congresso médico, lhe salvou a mão e colocou tendões de náilon, recriando os movimentos da mão lesionada. Ele voltou a tocar piano. Hoje, Gilson Peranzzatta, 62 anos, é um exímio pianista. Gravou, recentemente, um CD na companhia de Mauro Senise, saxofonista e flautista. Vale a pena ser ouvido.

Outro dia foi tocar piano com orquestra formada de jovens carentes, numa favela do Rio. E o piano? Foram buscar um. Ao dedilhar um prelúdio, reconheceu o velho piano que há 52 anos atrás sua mãe lhe comprara. Ficou muito comovido e chorou. Então o diretor da orquestra, como uma forma de gratidão, o presenteou com aquele piano inesquecível...

Gilberto Sidney Vieira