Furtos a estabelecimentos comerciais da Zona Sul tornaram-se corriqueiros. A trivialidade com que lojistas amargam prejuízos e vivenciam sentimento de insegurança resultou em um grito dos comerciantes. Cada um, a seu modo, engrossa o pedido de socorro.
Em alguns pontos da região, seqüências de lojas passaram pela situação. Em um dos casos, o proprietário de uma delas se imbuiu da incumbência de investigador para descobrir os autores dos furtos. Só no estabelecimento dele, foram quatro ocorrências em um ano. “São moleques com idade entre 15 a 19 anos, ‘noiados’. Eles têm grana”, comenta.
Inicialmente, estouravam a vitrine de madrugada. Depois, chegaram a serrar uma grade de ferro. Agiram do mesmo modo numa outra loja, não muito distante. “Não passa viatura policial por aqui. Está faltando gente”, comenta a comerciante.
Todos eles aceitaram conceder entrevista desde que não fossem identificados. “O crime virou um mercado. Tem mais bandidos que policiais. O Estado não investe em nada. Falta mão-de-obra e os policiais são mal remunerados”, comenta outro.
No caso dele, a situação foi pior. Dois homens armados roubaram a loja. Depois, já escolado, percebeu quando dois supostos clientes bem vestidos visitaram o estabelecimento. Um deles distraía os vendedores, enquanto outro observava o esquema de segurança instalado.
“A cada dia, temos mais furtos na Zona Sul. Temos também alguns roubos, mas em menor quantidade. Geralmente, os furtos ocorrem na madrugada. As características são sempre as mesmas”, reitera Luis Evandro Manflin, coordenador da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib) Asa Sul. A entidade tornou-se a voz oficial dos comerciantes, que temem abordar o assunto publicamente com medo de demonstrar a eventual vulnerabilidade de seus estabelecimentos.
Boletim de ocorrência
“Tudo o que a gente podia fazer foi feito. Fizemos reunião com o pessoal da Polícia Militar (PM) e contato com os lojistas que sofreram esse tipo de ocorrência. Falta efetivo para essa quantidade de casos”, comenta. Por conta da situação, ele orienta os comerciantes a registrarem os furtos, já que a PM planeja suas ações com base nas estatísticas de delitos.
“Muitos não fazem boletim de ocorrência, talvez, por medo de represália e por sentirem-se constrangidos em ir à delegacia. Mas tem que fazer. Se tiver demanda, o efetivo pode ser aumentado”, avalia Manflin. Ainda assim, ele cobra da polícia outras medidas. “Se mercadorias são levadas, são vendidas em outros locais”, ressalta.
O problema também foi discutido pelo Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) Centro/Sul. “O comando da PM tem respondido, mas poderia ter mais ações”, comenta Pellegrino Bacci Neto, membro da entidade. Sua recomendação às vítimas é que não deixem de elaborar o boletim de ocorrência. Por meio dele, a região pode ser contemplada com a reengenharia de pessoal implementada pela PM.